Com o aval de Lula, candidatura de Haddad ganha força em SP

Lideranças petistas avaliam que, entre a experiência da senadora e o ar renovador do ministro, o que vai prevalecer no final é a indicação do ex-presidente

Daiene Cardoso e Gustavo Uribe, da Agência Estado

29 de julho de 2011 | 17h33

Em meio ao debate sobre as prévias para a escolha do candidato do PT à sucessão municipal de São Paulo, caciques do partido já descartam a candidatura do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, e preveem uma queda-de-braço entre a senadora Marta Suplicy e o ministro da Educação, Fernando Haddad. Lideranças petistas avaliam que, entre a experiência política da senadora e o ar renovador do ministro, o que vai prevalecer no final é a indicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O Lula tem muita influência no PT, ele não precisa se impor. Se o Lula quiser, quiser mesmo, será o Haddad. O Mercadante tem muita ligação com o Lula e se o Lula quiser o Haddad, o Mercadante não será candidato", disse um líder do diretório municipal.

 

Nas contas das lideranças petistas, Mercadante teria o apoio majoritário da bancada municipal caso tivesse interesse em disputar a indicação com os outros pré-candidatos da sigla. No entanto, o desempenho de Mercadante no Ministério de Ciência e Tecnologia tem agradado à presidente Dilma Rousseff, que já pediu para que ele permaneça na pasta. "A presidente tem elogiado bastante o trabalho do ministro Aloizio Mercadante, o que não deve levá-lo a entrar na disputa", revelou um cacique do diretório estadual. "Como ministro, ele está cada dia mais empolgado", contou um aliado próximo do ministro. Embora tenha dado sinais de que continuará em Brasília, Mercadante não está oficialmente fora do embate. "O nome dele sempre será lembrado neste processo", ressaltou o deputado federal Paulo Teixeira, líder da bancada do PT na Câmara.

 

Incomodado com a discussão em torno da realização das prévias, Teixeira defende que a escolha do candidato petista seja através de um consenso. "Essa é uma discussão fora de propósito. Temos de ter um entendimento para a construção dos critérios (de escolha)", pregou o deputado. Como líder da bancada, Teixeira diz não ter preferências, uma vez que três postulantes estão em sua base: os deputados Carlos Zarattini, Arlindo Chinaglia e Jilmar Tatto. No entanto, ao ser questionado sobre a inexperiência de Haddad, Teixeira rasgou elogios ao ministro e destacou sua visibilidade nos governos de Lula e Dilma. Em sua opinião, seu trabalho no Ministério da Educação o credencia para a disputa. "Ele tem dois grandes professores: Lula e Dilma. A inexperiência não é a maior dificuldade", justificou.

 

Mesmo com Marta insistindo na candidatura, nos bastidores cresce a convicção de que o PT precisa de um nome novo. O discurso oficial é de que o partido dispõe "dos melhores nomes para administrar São Paulo", mas muitos não escondem a insatisfação com a obsessão da senadora e só não se expõem publicamente para não se indispor com a petista. "Vamos tentar evitar a prévia", avisou um vereador. A expectativa é que Marta retire sua candidatura e abra caminho para um entendimento com os outros pré-candidatos, incluindo o senador Eduardo Suplicy, que já colocou seu nome à disposição do partido.

 

"Eu acho que se a Marta Suplicy não retirar a candidatura, dificilmente o Fernando Haddad entra na disputa, pois ele não teria força nas bases do partido", avaliou um deputado federal. Caso Marta mantenha sua posição, o partido pode chegar a um impasse. "A chance do Haddad seria no entendimento e eu acho que, no atual cenário, é difícil ocorrer um acordo", emendou o parlamentar.

 

Tutoria. Antes de sair de férias, o ministro Fernando Haddad recebeu em Brasília a visita do presidente do PT em São Paulo, deputado estadual Edinho Silva, e do prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, para discutir sua pré-candidatura. Como o ex-presidente Lula, que é o padrinho político do ministro, não terá muito tempo para prepará-lo para o palanque, tudo indica que o Marinho será incumbido desta função, fazendo com Haddad o que Lula fez com Dilma.

 

Amigos de longa data, o ex-presidente e o prefeito estão mais próximos do que nunca. Lula tem conversado com o amigo pelo menos uma vez por semana. Foi o prefeito da cidade do ABC paulista quem articulou o encontro de Lula com prefeitos de São Paulo, realizado em abril na cidade de Osasco.

 

Sempre que Lula tem uma brecha em sua agenda de viagens, Marinho inclui o ex-presidente nos eventos de São Bernardo. O último aconteceu em junho, na aula-espetáculo do escritor Ariano Suassuna. O próximo evento acontecerá em agosto, na Feira Literária da cidade, reunindo Lula e Haddad. "O Haddad tem sido um ótimo ministro e pode crescer com o apoio do Lula, obtendo apoio da maioria no partido", avaliou um dirigente municipal. "A candidatura de Fernando Haddad tem ganhado força entre as lideranças petistas, que veem a possibilidade dele vencer os tucanos na capital paulista", vislumbrou um deputado estadual.

 

O fato é que o apadrinhamento de Lula fez com que os petistas passassem a ver o ministro da Educação com outros olhos. "Tem que se levar em consideração as sugestões do presidente Lula", enfatizou um membro do diretório municipal. "Definir como critério experiência em disputa eleitoral não resolve", ponderou Paulo Teixeira. "Haddad é um nome muito preparado", emendou o deputado. "É difícil que um nome se viabilize como candidato sem o apoio da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva", reforçou um dos petistas entusiastas da candidatura de Fernando Haddad.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.