Com novas ações, protestos chegam a 17 Estados

Entre manifestações, sem-terra invadiram secretaria em Salvador e área da USP no interior

Tiago Décimo e José Maria Tomazela, O Estadao de S.Paulo

11 de março de 2008 | 00h00

Cerca de dois mil integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) e da Coordenação Estadual de Trabalhadores Assentados e Acampados da Bahia (Ceta) promoveram manifestação, ontem, na frente da Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador. Desde a semana passada já houve protestos e invasões em 17 Estados, coordenados pela Via Campesina. As ações contra o agronegócio e em defesa da reforma agrária fazem parte da jornada pelo Dia Internacional da Mulher.Segundo a coordenadora do protesto em Salvador, Vera Lúcia Barbosa, a manifestação é pacífica e tem o objetivo de cobrar o cumprimento de uma pauta de reivindicações do movimento, entregue ao governo baiano em abril do ano passado. Entre as exigências estão desde a criação de escolas em assentamentos até a construção de 3 mil residências e a reforma de outras 5 mil casas dos assentados, passando por recuperação de estradas. De acordo com Vera Lúcia, cerca de 1.500 manifestantes vão ficar acampados no local até que haja proposta para solução dos problemas. O titular da secretaria, Geraldo Simões, se reuniu com as lideranças. "Mostramos que muitos itens da pauta foram atendidos ou estão em andamento", afirmou. "Existem, porém, algumas dificuldades por causa da complexidade da pauta." Novo encontro acontecerá hoje. FAZENDASetenta integrantes do MST invadiram ontem a Fazenda Kankan, em Riversul (SP), a 370 km da capital. A área de 115 hectares é considerada de herança vacante, ou seja, os proprietários morreram sem deixar herdeiros. Nesses casos, as terras passam a integrar o patrimônio do Estado. A Kankan seria transferida à Universidade de São Paulo. De acordo com o MST, a USP nunca assumiu a fazenda que, há décadas, é explorada por um criador de gado. As famílias acampadas querem que a fazenda seja retomada pelo Estado e destinada à reforma agrária.

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