Com Mônica, revista vende o dobro na banca do Congresso

Jornalista é o pivô do escândalo envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros, com quem tem uma filha

Ana Paula Scinocca, do estadão

09 de outubro de 2007 | 20h48

Suas excelências usaram "laranjas" para manter o decoro. As duas bancas de jornal do Congresso registraram hoje um elevado quórum de anônimos funcionários do Legislativo que se apressaram para comprar a revista "Playboy" que trouxe na capa a jornalista Mônica Veloso, pivô da crise que envolve o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).  A banca principal, da Chapelaria, na entrada do Parlamento, vendeu 40 edições - o dobro da média mensal - em apenas quatro horas. Ao todo, apenas hoje 150 dos 200 exemplares disponíveis ali foram vendidos. "Foi um verdadeiro fuá. Nunca pensei que a chegada da revista da Mônica fosse gerar tanta curiosidade aqui", resumiu um dos funcionários da banca da Chapelaria, José Erinaldo Silva Pereira, prevendo reabastecimento para os próximos dias.  Pessoalmente, afirmaram os funcionários tanto da banca da Chapelaria quanto a do Anexo 4, nenhum senador ou deputado comprou a revista. "Eles mandaram os assessores, né? Fica chato aparecerem aqui para fazer esse tipo de compra", analisou um deles. De parlamentar, apenas o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) esteve na banca nesta terça-feira, 9, mas constrangido, saiu de mãos abanando. Sobre se tinha visto a revista, o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), saiu-se com esta: "O assunto é tão perigoso que nem na revista quero ver. Uma foto minha vendo a revista já dá uma pensão (alimentícia)." Nos corredores do Congresso, no dia mais tenso desde o início da crise envolvendo Renan, o assunto também foi um dos mais comentados. Elogios - a maior parte dos homens e críticas - quase todas de mulheres invejosas da boa forma de Mônica - foram ouvidos aos quatro cantos. Nem quem estava no plenário do Senado, apesar da tensão da sessão de hoje, deixou de dar uma espiada. Sem poder correr até a banca, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), como flagrou a reportagem, recorreu à internet para conferir as curvas da mulher que abalou o Congresso.

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