Com ministros, Lula lamenta ''agenda ruim''

Em reunião no Planalto, presidente comenta bate-boca no STF e gastos com passagens aéreas

Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou ontem, na reunião de coordenação política do governo, os dois temas que dominaram a semana em Brasília: as denúncias de uso de passagens aéreas por parlamentares, familiares e amigos, no Congresso, e o bate-boca entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa. Ao falar sobre os problemas no Congresso, Lula argumentou que isso precisa chegar ao fim, justificando que esta polêmica "é muito ruim", "atingiu a todos" e o cidadão comum não tem como compreendê-la, por mais que sejam dadas explicações. Para o presidente, essa onda de denúncias "precisa ter um fim". O relato da reunião foi feito pelo ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que disse ainda que a avaliação do governo é de que "não foi uma boa semana para ninguém".Mais tarde, em Itumbiara (GO, Lula foi lacônico ao comentar a crise das passagens aéreas: "Acho que o Congresso tem sabedoria demais para resolver esse problema".A crise econômica e as medidas que estão sendo tomadas pelo governo não foram discutidas na reunião de coordenação, porque os ministros Paulo Bernardo, do Planejamento, e Guido Mantega, da Fazenda, não estavam presentes. No encontro, de acordo com informações obtidas no Planalto, Lula deixou claro que não gostou de saber que Mantega e Bernardo não estavam em Brasília.Ao relatar o encontro, o ministro José Múcio comentou que há "um incômodo coletivo" com os escândalos políticos. Ele revelou ainda que conversou na quinta-feira com os líderes partidários sobre a questão do uso das cotas de passagens aéreas pelos parlamentares. Segundo o ministro, embora alguns deputados sejam contra a ideia, as cúpulas partidárias defendem que só os parlamentares devem usar as passagens."Os tempos mudaram. Hoje, o nível de informação da sociedade é absoluto e ela não aceita mais a forma que era. Não vamos discutir se está certo ou errado. O que precisamos é virar a página e construir uma coisa nova", desabafou o ministro, que condenou ainda a venda de bilhetes de deputados a agências de viagens. "Isso é crime", afirmou. Múcio disse ainda que, como deputado, defende novas regras para gastos de parlamentares, com a colocação das contas na internet, "para que as pessoas vejam o que um deputado faz e o que não faz". Ao comentar a polêmica entre os ministros do STF, Lula lamentou, segundo o relato do ministro. "São dois amigos, é um Poder, é a imagem", observou Múcio.Durante a reunião, Lula também fez um balanço da recente viagem a Trinidad e Tobago, onde participou da 5ª Cúpula da Américas. Segundo Múcio, "o presidente Lula ficou impressionado com o jeito fraternal do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com o fato de conversar com todos os presidentes, com o cumprimento ao presidente Hugo Chávez (da Venezuela)".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.