Com mais chuvas, Nova Friburgo continua caótica; mortos passam de 540

Cidade vivia tensão em meio a temores de novos deslizamentos; saída rumo a Teresópolis está congestionada.

Rafael Spuldar, BBC

15 de janeiro de 2011 | 15h27

Cidade estava tensa em meio a temores de novos deslizamentos

Uma chuva torrencial de cerca de uma hora caiu neste sábado sobre Nova Friburgo, região serrana fluminense, causando ainda mais transtornos no centro da cidade, uma das mais afetadas pelos recentes deslizamentos.

Na avenida Comandante Bittencourt, uma das principais do centro friburguense, um verdadeiro rio de lama tomou conta de uma das pistas, impedindo o trânsito da maior parte dos veículos.

A poucos metros dali, na praça Presidente Getúlio Vargas, um volume de cerca de 60 cm de água musturada à lama tomou conta da rua.

Para escapar da inundação, vários motoristas subiram com seus carros nos canteiros e jardins da praça - inclusive veículos da polícia civil.

Havia temores de que transbordasse o rio que cruza a via. O trânsito estava paralisado na cidade e na sua principal saída.

A continuidade das chuvas aumentou a tensão entre os friburguenses, que temiam novos deslizamentos e enxurradas. Além disso, o município está sem luz, e autoridades fizeram um apelo por doações de velas.

A saída da cidade também permanecia caótica, mesmo após a chuva dar uma trégua.

A rodovia RJ 130, que liga Nova Friburgo a Teresópolis, ficou temporariamente interrompida - a Defesa Civil local não esclareceu se por queda de barreiras ou se por inundações -, deixando Nova Friburgo virtualmente ilhada.

Havia relatos não confirmados de que um trecho da pista havia desmoronado.

Pouco antes das 15h, a Defesa Civil de Teresópolis informou por telefone que a rodovia já havia sido liberada, mas diversos veículos permanecem parados no local.

Mortos

O número de mortos nos deslizamentos da serra fluminense continuava a subir neste sábado.

Segundo dados da Defesa Civil estadual divulgados pela Agência Brasil pouco depois do meio-dia, mais de 540 pessoas morreram na tragédia.

A maioria das vítimas é de Nova Friburgo: 252 mortos. Em Teresópolis, são 238 mortos, além de 43 em Petrópolis e 16 em Sumiouro.

A cidade de São José do Vale do Rio Preto (20 mil habitantes) não consta do balanço da Defesa Civil fluminense, mas há relato de que as cheias tenham provocado ao menos quatro mortes ali.

O número de desabrigados na serra fluminense é estimado em cerca de 7,5 mil pessoas.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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