Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Com Lula no jogo, polarização política volta a assombrar o Brasil; veja análise de Marcelo de Moraes

Brasileiro havia sinalizado apoio a candidaturas moderadas nas eleições municipais de 2020

Marcelo de Moraes, O Estado de S. Paulo

08 de março de 2021 | 18h34

A decisão do ministro Edson Fachin, que devolveu os direitos políticos de Luiz Inácio Lula da Silva, colocou o ex-presidente no jogo eleitoral de 2022. Ao mesmo tempo, traz de volta o fantasma da polarização política entre esquerda e direita, que tanta intolerância produziu no País.

E nas eleições municipais, realizadas há poucos meses, o brasileiro sinalizou justamente numa direção diferente, optando majoritariamente por candidatos moderados, rejeitando os discursos radicais. Jair Bolsonaro não emplacou a maioria dos candidatos de direita que apoiou. O PT não elegeu nenhum prefeito de capital. Mas, com a possibilidade de Lula participar da eleição de 2022, aumentam as chances de acontecer um novo confronto entre direita e esquerda pelo poder, com o petista se tornando o principal adversário de Bolsonaro na disputa pela reeleição.

A mudança do quadro político também proporciona a Jair Bolsonaro a chance de retomar o discurso do antipetismo para tentar se recuperar de todo o desgaste proporcionado pela desastrosa condução do combate à pandemia do coronavírus. Acuado e perdendo pontos com seus eleitores, a possível disputa para impedir a volta de Lula também poderá reunificar o eleitor mais conservador em torno da reeleição de Bolsonaro.

Com a pandemia fora de controle, o presidente vem caindo em todas as pesquisas de avaliação do seu desempenho e do seu governo. Situação essa agravada pela interrupção do pagamento do auxílio emergencial. Se puder mudar o foco das atenções para o embate com Lula, ressuscitando o “nós contra eles”, Bolsonaro não hesitará em apostar suas fichas nessa jogada.

Divididos por disputas internas, os defensores de uma opção de centro mais do que nunca precisarão se reorganizar. Até porque é a única alternativa para impedir que sejam engolidos pela possível polarização de Bolsonaro contra Lula. A dúvida é se nomes como os dos governadores João Doria e Eduardo Leite, o apresentador Luciano Huck e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta terão fôlego para se sustentarem no meio dessa briga de cachorro grande.

As eleições municipais mostraram que há eleitores potencialmente dispostos a votar numa terceira via, distante dos radicalismos. A pergunta é se existe um candidato capaz de tornar realidade essa alternativa política sem ser atropelado pela polarização.

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