Com ironias, governador da BA minimiza apoio de Maluf a Haddad

Petista Jaques Wagner reconhece que não a aliança não é 'normal', mas define articulação pelo tempo da TV como uma 'convivência democrática'

Tiago Rogero, de O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 14h10

RIO - O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), foi mais um petista a manifestar incômodo com a parceria do partido, em São Paulo, com o PP do deputado federal Paulo Maluf, de apoio à candidatura de Fernando Haddad à prefeitura. "É evidente que não é uma foto normal", disse, sobre a imagem de Maluf apertando a mão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nessa segunda-feira, 18, em SP. "Mas, é a convivência democrática, até porque estamos aqui no ambiente da Rio+20 e, portanto, a sustentabilidade significa que não devemos exterminar nenhuma espécie", sorriu.

 

Para o governador baiano, a aliança "vale o esforço" se for para render o que se espera: a vitória de Haddad. "Tem um político velho que diz que não existe nada impossível na política", disse, após encontro de governadores na Rio+20, no Parque dos Atletas. "Acho que ele (Lula) fez a foto com um objetivo: trazer o PP, conquistar o apoio pelo tempo de televisão, por ser mais um partido na aliança que já está na sustentação do governo Dilma".

 

Wagner afirmou que Maluf tem uma "história até contraditória" com a sua, mas "as coisas estão tão distantes que essas questões vão sendo superadas e as pessoas se aliam". "Eu digo sempre que a foto não mostra o mais importante. O mais importante é: qual o programa de governo que o Haddad eleito vai levar para São Paulo? Este, seguramente, terá ver com as nossas raízes, com a nossa história, e com aqueles que são, também, aliados de sempre", afirmou.

 

Presente ao encontro, o governador de SP, Geraldo Alckmin (PSDB), evitou falar sobre a parceria. Perguntado se o apoio de Maluf à campanha de Haddad "facilitaria a vida" dos tucanos na eleição, Alckmin se limitou a dizer que caberia ao PT se pronunciar.

 

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), apesar de petista, também se esquivou: "Vamos deixar para o governo local resolver". Já o governador gaúcho, Tarso Genro (PT), disse que preferia, antes de opinar sobre a parceria, conversar com "os companheiros de São Paulo, Haddad e Lula".

 

"É perfeitamente natural que as pessoas se manifestem, principalmente as de São Paulo. Mas eu, como estou lá no Rio Grande do Sul, isolado do contexto nacional", brincou, e disse aos jornalistas: "Vocês nunca 'dão bola' para o Rio Grande do Sul, só vêm me perguntar coisas de São Paulo, então vou aguardar um pouco para manifestar minha opinião".

 

 

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