Alan Santos/Presidência da República
Alan Santos/Presidência da República

Com Eduardo em Washington, governo espera filho de Trump como embaixador no Brasil

Avaliação é de que Estados Unidos podem mandar Eric Trump, alguém 'com o mesmo perfil', o que ajudaria a estreitar as relações entre os dois países.

Julia Lindner e Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2019 | 12h02
Atualizado 15 de julho de 2019 | 15h28

BRASÍLIA E WASHINGTON – O governo brasileiro considera que o presidente Donald Trump poderá designar um de seus cinco filhos, Eric, para assumir a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. A avaliação é que, ao indicar um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, Eduardo, para a Embaixada do Brasil nos EUA, os americanos enviariam alguém "com o mesmo perfil", o que ajudaria a estreitar as relações entre os dois países. 

Segundo um interlocutor do governo, a indicação política seria "um sinal de prestígio sem igual", pois considera que os americanos costumam fazer esse tipo de indicação para países como Rússia, China, Reino Unido, Canadá, Israel, Polônia e Hungria. O Brasil, por sua vez, não possui tradição de fazer indicações políticas, especialmente para a Embaixada nos EUA, que é uma das mais disputadas no meio diplomático. "Além da importância de abrir portas, há o fator compreensão do momento político dos dois países", disse uma fonte.

Também existe o entendimento de que como o Brasil não tem essa tradição de fazer esse tipo de indicação e é mais difícil para o País emplacar um nome político, "o ônus está sobre nós", o que poderia influenciar a decisão dos americanos. Governistas também alegam que os americanos já teriam deixaram claro qual é o perfil que buscam para a troca de nomeações políticas para as embaixadas.

A informação de que Eric pudesse ser nomeado embaixador do Brasil pegou de surpresa integrantes do governo americano. Entre assessores do presidente americano, a visão foi de ceticismo sobre a possibilidade de Trump indicar Eric para o posto no Brasil. Fontes afirmaram que o tema não foi discutido pelos EUA e que, mesmo considerado o caráter imprevisível de Trump, uma decisão desse tipo faria pouco sentido na Casa Branca.

Depois de avisar há meses que trocaria o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a intenção de indicar o próprio filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para o posto diplomático mais importante e mais disputado não apenas no Brasil, mas em praticamente todos os países, a embaixada em Washington. Eduardo é presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Eric Trump é um dos executivos responsáveis pelas Organizações Trump. Caso mudasse para o Brasil, teria que abandonar não só o seu país como também os negócios da família. Para além disso, o empresário precisaria passar pelo crivo do Senado. Apesar de ter maioria republicana, partido do presidente, o Senado provavelmente faria uma devassa nos negócios da família Trump com a prerrogativa de fazer o escrutínio do “futuro embaixador”.

Desde que assumiu a Casa Branca, Trump vem travando uma batalha para não precisar entregar ao Congresso registros financeiros das suas empresas. Aliados do presidente consideram que Eric teria percalços se precisasse ser sabatinado por democratas no Congresso.

Trump já voltou atrás da ideia de indicar uma de suas filhas, Ivanka, para o comando do Banco Mundial. Ele também disse, em entrevista, que a filha seria uma boa opção como embaixadora da ONU, o que também não vingou.

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