Com idéias parecidas, candidatos de SP não apontam fontes de recursos

Tanto Marta como Alckmin e Kassab defendem zerar déficit de creches, criar leitos e investir no metrô

Clarissa Oliveira e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

22 de julho de 2008 | 00h00

Adversários declarados na corrida eleitoral pela Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) têm discursos idênticos para enfrentar problemas crônicos da cidade. A coincidência de propostas ficou evidente ontem, em encontro que reuniu 8 dos 11 postulantes ao cargo de prefeito da capital paulista. Mais informações sobre as eleições 2008A lista de promessas repetidas é extensa. Os recursos para implementá-las, entretanto, têm ficado à margem dos discursos. Todos ressaltam que parcerias com os governos estadual e federal são essenciais para tirá-las do papel.As propostas idênticas estão nas principais áreas. Vão de temas triviais, como zerar o déficit de vagas em creches (são cerca de 90 mil crianças de 0 a 4 anos em filas de espera) , criar leitos hospitalares na periferia(há distritos que não têm um centro de saúde) e investir recursos da prefeitura no metrô (depois de mais de 30 anos, o governo voltou a destinar recursos ao setor), a assuntos menos práticos, como a revisão do Plano Diretor do município e o compromisso de fortalecer a descentralização do governo.O discurso de Marta e Alckmin sobre a necessidade de administrar a capital em parceria com municípios da região é um exemplo das semelhanças entre aqueles que tentam mostrar-se ao eleitorado como diferentes. "Aqui 75% da população vive em três regiões metropolitanas - São Paulo, Campinas e Baixada Santista. Governar São Paulo, portanto, exige uma visão metropolitana", disse o tucano. A petista, que ocupou a tribuna na seqüência, repetiu a mesma receita. "São Paulo hoje não pode mais ser pensada sozinha. Ela tem de ser pensada como região metropolitana."Mais adiante, novas coincidências. "Vamos incluir no nosso programa de governo uma forte descentralização, fortalecendo as subprefeituras, instalando conselhos de representantes, trabalhando os 96 distritos", prometeu Alckmin. Pouco depois, a petista recorreu às mesmas palavras. "Vamos para a descentralização que iniciamos em 2001. O conselho de representantes, é uma pena que não tenha sido instituído." CRECHESNa educação, as creches dominaram a discussão. "Essa gestão criou 43 mil vagas e na próxima gestão vamos liquidar o déficit", anuncia Kassab. O adversário tucano faz a mesma promessa. Marta, mais cautelosa, fala em abrir vagas, mas sem se comprometer com o fim do déficit.Para a área que deverá ser a mais debatida nesta eleição - trânsito e transporte público - , o eleitor também não deve esperar muitas opções de escolha. Kassab, Alckmin e Marta repetem diariamente o mesmo compromisso: investir na expansão do metrô, construir novos corredores de ônibus e reformar os já existentes. A atual gestão retomou os investimentos no metrô depois de mais de 30 anos.Com cabos eleitorais de peso, Marta e Kassab fizeram questão de citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador José Serra, respectivamente, como apoiadores de seus projetos.O encontro entre os candidatos também foi marcado por algumas "cotoveladas", apesar do pedido da organização para que não houvesse troca de farpas. Ivan Valente (PSOL) e Edmilson Costa (PCB) prometem tornar gratuita a passagem de ônibus na cidade. Levy Fidelix (PRTB), conhecido pelo seu projeto do aerotrem, sugeriu ontem adotar a energia solar para iluminar as ruas da cidade. Renato Reichmann (PMN), na contramão dos discursos a favor da priorização do transporte de massa segundo ele próprio, falou em construção de edifícios com garagens perto dos terminais de ônibus e estações de trem e metrô. "Não é um debate, mas os candidatos naturalmente apresentam idéias que mais parecem uma cotovelada", disse a última a discursar, a candidata do PPS, Soninha Francine, resumindo o clima do encontro. Alckmin falou em "uso da máquina", em referência a Kassab. O prefeito enfatizou o fato de sua gestão ter posto fim às escolas de lata, herança de Marta. Esta se queixou de como a atual gestão tratou os conselhos gestores nos Centros Educacionais Unificados (CEUs). "Isso tem de voltar para a cidade."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.