Com gritos contra o governo, grupos vão às ruas pelo País

Manifestações marcadas pelas redes sociais levantam bandeiras que vão de pedido de impeachment de Dilma à defesa da Petrobrás

O Estado de S. Paulo

15 de março de 2015 | 10h29

Atualizado às 16h57

São Paulo - Os protestos marcados para este domingo, 15, contra o governo da presidente Dilma Rousseff reúnem manifestantes em ao menos 24 Estados e no Distrito Federal nesta manhã. Nas ruas há gritos de combate à corrupção, de "Fora PT", pedidos de reforma política e de impeachment de Dilma. Nas redes sociais, cerca de 500 mil pessoas prometem comparecer a atos previstos em 21 Estados, organizados em sua maioria pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e Vem Pra Rua. Não há registros de incidentes até o momento.

Em alguns pontos, há mobilizações favoráveis ao governo, o que causou brigas isoladas entre os manifestantes. Em  Brasília, a PM do Distrito Federal calcula que o ato chegou a reunir entre 45 mil e 50 mil pessoas. No Rio, a última estimativa foi de 15 mil participantes. Em Minas, a Polícia Militar estima que 20 mil pessoas estejam na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Em São Paulo, milhares de manifestantes foram até a Avenida Paulista.

No Rio, cerca de 50 pessoas já ocupavam a orla da praia do Leblon por volta das 8 horas. Muitas vestiam roupas verdes ou amarelas e seguram bandeiras do Brasil. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que protocolou na semana passada pedido de impeachment da presidente, acompanhava o ato.

"Não estou coordenando isso [protesto] aqui, sou um cidadão como os outros. Meu partido, inclusive, tem 80% envolvido na roubalheira da Petrobrás", disse, num megafone, em referência à citação de parlamentares do PP na investigação da Operação Lava Jato.

A maior concentração no Rio estava na praia de Copacabana, na zona sul, que por volta do meio-dia concentrava 15 mil pessoas, segundo a PM. Organizadores do movimento como Revoltados On Line e Movimento Brasil Livre chegaram a divergir quanto a possíveis discursos de políticos durante o protesto. No começo da caminhada, representantes dos Revoltados On Line afirmaram que nenhum político iria falar ao microfone para que a manifestação mantivesse seu caráter apartidário. Na chegada a Copacabana, o professor Alan dos Santos, do MBL, chamou representantes do outro movimento e disse que Bolsonaro deveria falar. Ao final, optaram por não deixá-lo discursar mais.

A professora Fernanda Melo, de 34 anos, grávida de nove meses, estava entre os manifestantes. “Eu vim porque era uma oportunidade única para se livrar dos bandidos do Brasil. Quero a Dilma fora e não me importa quem vá governar”, declarou. A passeata pela zona sul da capital carioca terminou por volta das 13 horas. "Ficou muito tarde, está quente demais, o pessoal precisa de tempo para descansar e se alimentar. A gente se surpreendeu [com o público]", diz o publicitário Hermes Gomes, da União contra a Corrupção no Brasil, que estima 100 mil pessoas. A PM, no entanto, ainda não divulgou a estimativa final.

Diversas bandeiras. Nos grupos, participamentes dividem-se entre apoiar ou não pedidos de impeachment. Quem é contrário, defende que o ato é para demonstrar a insatisfação com o governo federal. Entre os gritos de ordem, participantes usaram “1,2,3, Dilma no xadrez’’ e “Não adianta nos reprimir, esse governo vai cair”. Em Niterói, no Grande Rio, cerca de 3 mil pessoas se concentram na Praia de Icaraí.

A manifestação em Brasília também faz críticas ao tarifaço de energia elétrica promovido pelo governo no começo deste ano. Em um dos carros de som do protesto, em meio a bandeiras da Força Sindical, há uma faixa com as frases: “Dilma, não cobre pela luz do sol”. A Polícia Militar do DF estima que 30 mil estejam no ato, que ocupa áreas da Esplanada dos Ministérios e o gramado em frente ao Congresso. Há um cordão de isolamento que impede que as pessoas invadam as cúpulas do Senado e da Câmara, como ocorreu durante as manifestações em junho de 2013. 

Em Belo Horizonte, a PM chegou a ser acionada para conter desentendimento entre os próprios manifestantes. Parte do grupo queria seguir com a passeata em direção diferente  da proposta pela organização. A concentração em Belém (PA) também soma cerca de 2,5 mil pessoas, segundo a PM. Em Fortaleza, a Polícia Militar calcula 3 mil pessoas o público no ato contra o governo. Os manifestantes vestem verde e amarelo e muitos portam a bandeira do Brasil.  

Em algumas cidades, manifestações pedindo intervenção militar são abafadas com vaias dos demais participantes. Há registros de atos também em Santa Catarina, Tocantins, Maranhão, Ceará, Amazonas, Pernambuco, Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e Rio Grande do Sul.

Pelo interior de São Paulo, há manifestações em Campinas, Franca, Itu, Rio Preto, Ribeirão Preto, Bauru, Araçatuba e Presidente Prudente. / Roberta Pennafort, Clarissa Thomé, Murilo Rodrigues Alves, Eduardo Rodrigues, Carmen Pompeu, Diego Emir, Gabriela Azevedo, Angela Lacerda, Tiago Décimo, Antônio Carlos Garcia, José Maria Tomazela, Rene Moreira, Bruno Tadeu Moraes, Carlos Nealdo, Guilherme Faria Xavier, Chico Siqueira, Sandro Villar e Diego Moura

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