Com gestão petista, País ‘se encontrou’, diz Dilma

Em discurso no Itamaraty, presidente exalta a política externa dos últimos 10 anos, diz que Brasil tem visibilidade e pede revisão da governança mundial

Tânia Monteiro e Ricardo Brito , Agência Estado

17 Junho 2013 | 14h20

BRASÍLIA - Em discurso aos futuros diplomatas do Itamaraty, a presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feir,a 17, em Brasília, que nos últimos dez anos - a partir do governo Lula - o Brasil "ganhou enorme projeção internacional" e atualmente "é convocado para grandes debates" da política mundial. Na fala, para os formandos do Instituto Rio Branco, afirmou ainda que "a governança mundial necessita de reforma". As mudanças "são necessárias para que reflitam a atual correlação de formas econômicas", que mudaram muito desde o fim da Segunda Guerra Mundial, afirmou.

Segundo ela, esse maior reconhecimento e visibilidade internacional têm ligação direta com políticas internas. "A retomada da inclusão social e do crescimento reduziu nossa vulnerabilidade externa."

Mais adiante, afirmou aos formandos que "sem arrogância, mas com segurança e firmeza, (vocês) poderão dizer que representam um País que se encontrou consigo mesmo e recuperou sua autoestima e que está pronto a dar sua colaboração decisiva para o mundo de paz, de desenvolvimento, de justiça social, um mundo que tenha de se afastar das guerras e escolher o diálogo e a cooperação como métodos de política externa".

Depois de elogios às atuações do ex-chanceler Celso Amorim - paraninfo dos formandos - e de seu sucessor, Antonio Patriota, ela criticou a política externa dos governos anteriores. "Que nunca mais se repita no Brasil a impossibilidade de se fazer uma política externa independente, num Brasil democrático, com justiça social", afirmou. E aproveitou para comemorar as atuais reservas do Brasil, que chegam a US$ 370 bilhões.

Dilma ressaltou que agora, em vez de devedor, o Brasil é credor do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Neste caminho que vocês trilharão", continuou a presidente, "vocês serão Celso Amorins e Patriotas do futuro e serão responsáveis nos próximos 20, 30, 40 anos, pela política externa brasileira".

Destacou a atual participação do Brasil no G-20 e a presença de brasileiros em postos de destaque na política internacional, como José Graziano na Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Roberto Azevêdo na direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e Paulo Vannuchi como integrante da Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Abordou a ação do Conselho de Segurança da ONU, que segundo ela "é carente de representatividade", e "muitas vezes de legitimidade" para "enfrentar e resolver as constantes ameaças à paz mundial". Acordos bilaterais, disse, "dão muitas vezes ilusão de ganho, mas terminam com resultado oposto". No mundo dominado por um crescente protecionismo - advertiu - "esses problemas só podem resolvidos com um novo marco multilateral".

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