Najara Araujo / Agência Câmara
Najara Araujo / Agência Câmara

Com Flávia Arruda, articulação política volta às mãos de congressistas dois anos depois

Flávia Arruda presidiu a Comissão Mista de Orçamento deste ano; indicação representa vitória de Arthur Lira

André Shalders, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2021 | 20h37

BRASÍLIA - As mudanças no comando de vários ministérios nesta segunda-feira, 29, resultaram na volta de um integrante do Congresso para o comando da articulação política do governo. A deputada federal Flávia Arruda (PL-DF) aceitou o convite do presidente Jair Bolsonaro e será a próxima ministra da Secretaria de Governo (Segov). Flávia é aliada do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), e integrante do Centrão.

O último político a ocupar o posto foi o ex-deputado Carlos Marun (MDB-MS), ainda no governo de Michel Temer (MDB). Nos últimos dois anos, a Segov esteve a cargo de militares: primeiro, o general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz (de janeiro a junho de 2019); e depois o também general da reserva Luiz Eduardo Ramos, que agora assume como ministro-chefe da Casa Civil.

Seis postos do primeiro escalão do governo mudaram de mãos nesta segunda-feira, 29. O titular anterior da Casa Civil, o general Walter Braga Netto, será o novo titular da Defesa após a saída do ex-ministro Fernando de Azevedo e Silva.

A chegada de Flávia à Secretaria de Governo é uma demonstração de força de Lira. Em 2020, ele travou durante meses uma disputa com seu antecessor no cargo, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para fazer de Flávia presidente da Comissão Mista de Orçamento, a CMO. A disputa foi resolvida em favor da deputada do Distrito Federal no começo deste ano, depois que Lira chegou ao comando da Casa com o apoio do Planalto.

Na semana passada, o alagoano fez um alerta contundente ao governo, com a cobrança explícita de mudanças na condução da pandemia de Covid-19. O discurso também trazia críticas veladas a Ernesto Araújo e ao ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente).

Na CMO, Flávia Arruda liderou a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) em pouco mais de um mês, entre os dias 10 de fevereiro e 25 de março. Parlamentares de oposição agora preparam representação ao Tribunal de Contas da União (TCU) contra o corte de despesas obrigatórias no Orçamento para abrir espaço para emendas parlamentares, feito durante a votação da LOA no plenário do Congresso.

Flávia Arruda está no primeiro mandato como deputada federal e é casada com o ex-governador de Brasília José Roberto Arruda. Ela foi a deputada mais votada no DF em 2018 para a Câmara, e não é investigada em nenhum inquérito.

Já José Roberto Arruda, foi alvo da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, sob a acusação de chefiar uma organização criminosa que desviava recursos públicos. Ele passou dois meses preso em 2010. Em 2017, voltou a ser preso por nova suspeita de desvio de verbas, desta vez na construção do Estádio Mané Garrincha.

Em 2010, Flávia considerou “normais” as imagens de seu marido recebendo maços de dinheiro, divulgadas pelo delator Durval Barbosa. “A política no Brasil é assim. As pessoas precisam receber dinheiro para a campanha.” Em agosto passado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a condenação de José Roberto Arruda na Caixa de Pandora.

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