Com economia ruim, Malan seria opção do PSDB em 2002, diz analista

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, poderá ser a opção do PSDB à sucessão presidencial em 2002, caso o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso não consiga reverter sua baixa popularidade e a economia continuar claudicando. A avaliação é do cientista político Fernando Abrucio, professor da FGV-SP e da PUC, ponderando que, neste cenário, Malan seria um escudo de defesa dos oito anos do governo FHC. Se as chances de vitória forem reduzidas para um candidato governista, Abrucio acredita que nem o ministro da Saúde, José Serra, nem o governador do Ceará, Tasso Jereissati, estariam dispostos a disputar a presidência. "Malan seria candidato para defender a gestão dele", disse o cientista político, alegando que, excluídos o presidente e seu vice, Marco Maciel, Malan é o único ministro de peso que permaneceu no governo ao longo das duas administrações de FHC. "Afinal, Malan é um forte. É uma figura forte", afirmou Abrucio, ressaltando a coerência idológica do ministro da Fazenda que, apesar das pressões e críticas, vem defendendo sua linha de atuação, valendo-se de um ideário sólido. "Ele seria visto como alguém que está indo até o fim na defesa de suas convicções. Ou seja, ele não fugiria da raia", emendou.MissãoPara o cientista político, Malan, por ser um "funcionário público com um belo serviço prestado à Nação", poderia aceitar a candidatura, apesar da resistência pessoal, como uma "missão". Nesse contexto, Malan poderia atrair um eleitorado de classe média que, ao ver nele um apolítico, faria uma opção pelo "técnico". "Há uma demanda difusa entre o eleitorado por um candidato não político, onde se encaixa um nome populista, como a do Garotinho, e o oposto, uma candidatura Malan", afirmou.Fernando Abrucio está convencido de que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, assinará a ficha de filiação do PSDB até o dia 5 de outubro, embora ele negue essa possibilidade com veemência. "O ministro pode se filiar e não acontecer nada", afirmou. Ao mesmo tempo, a filiação poderia ser interpretada, segundo Abrucio como: "Estou à disposição do presidente da República", o que no caso de Malan denota algo mais sério à medida que ele reluta em assinar a filiação partidária. Se entrar para o PSDB, Malan teria assegurado espaço na mídia. "O ministro não tem nada a perder. Será um fiel escudeiro do presidente Fernando Henrique Cardoso", avaliou o cientista político, referindo-se à disposição que o ministro Malan vem demonstrando em defender o governo e atacar os partidos de oposição, notadamente o PT, ao contrário de José Serra e Tasso Jereissati.Wall StreetHá cerca de dois meses, o ministro vem aprofundando e refinando seu discurso político. "Até agora, no entanto, a mídia trata Malan como um técnico, não como um político. Se ele está se credenciando a ser candidato, deveria ter o mesmo tratamento", disse Abrucio. Para ele, a indefinição beneficia o ministro. O cientista político ironizou as chances eleitorais de Malan, afirmando: "Dizem que Tasso não tem penetração no Sudeste, enquanto Serra não tem no Nordeste. E o Malan? Tem votos onde? Em Wall Street? ".Ele admitiu, porém, que um candidato governista será beneficiado com a divisão da oposição. "Um candidato, que tenha uma estrutura de apoio como a que elegeu FHC, tem chances de ir para o segundo turno", disse. "E aí, é uma segunda eleição.", afirma.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.