Com economia aquecida, trânsito vive piora em São Paulo

Para aliviar o trânsito, se fala em proibir carretas no horário de pico, ampliar o rodízio e criar pedágio urbano

SÉRGIO SPAGNUOLO, REUTERS

21 de fevereiro de 2008 | 11h08

Com a economia brasileira em aceleração e a indústria automotiva batendo recordes, São Paulo, a cidade com a maior frota nacional, vê-se afogada em um mar de quase 6 milhões de veículos que não pára de crescer. Mesmo em janeiro, considerado um mês fraco por conta das férias, a indústria de veículos apontou um recorde histórico de vendas para o período. O trânsito também deu uma trégua moderada no mês, mas, se depender do total de carros entrando nas ruas, o paulistano vai ficar muito tempo parado. "Isso (aumento de vendas) tem um impacto muito grande nas condições de trânsito em São Paulo, principalmente pela falta de investimento em transporte público", explicou Oliver Girard, diretor de Transporte, Logística e Infra-Estrutura da Trevisan Consultoria. "Hoje em dia não tem um horário de 'rush'... às vezes você pode pegar trânsito às 2h", acrescentou Girard. De 2006 para 2007, o crescimento de vendas no país foi de 27 por cento, saltando de 1,927 milhão para 2,462 milhões de veículos, com São Paulo representando algo em torno de 32 por cento das compras, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). "Em São Paulo são registrados 800 veículos todos os dias", afirmou à Reuters o diretor de operações da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Adauto Martinez Filho.  "Esse crescimento é muito intenso... e o que existe é uma disputa cada vez maior pelo espaço urbano", complementou. Para aliviar o asfixiante trânsito da capital já se falou em proibir carretas de mais de três eixos nos horários de pico, ampliar o rodízio de carros municipal e até colocar pedágios nas vias expressas, as marginais, e no centro - o que a CET descarta no curto prazo. Além disso, o governo do Estado anunciou neste ano a licitação de outorga do Rodoanel Oeste a fim de levantar verbas para finalizar o trecho Sul do anel viário, destinado a desafogar o grande tráfego de caminhões que cruzam São Paulo rumo ao Porto de Santos. Mas, no fim, muitos especialistas concordam que essas medidas seriam mais uma atenuante do que uma solução, conforme o número de veículos aumenta incessantemente. Segundo o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), estão cadastrados na capital paulista 5.960.748 veículos, entre automóveis, motos, utilitários, ônibus, reboques e caminhões, um aumento de mais de 350 mil veículos frente a dados do ano passado, e 640 mil veículos ante 2005. A cidade tem 12 por cento da frota nacional, avaliada pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) em cerca de 49 milhões de veículos. INSATISFAÇÃO O trânsito decorrente dessa avalanche de veículos desagrada a população. Segundo uma pesquisa realizada pelo Ibope em janeiro deste ano, com 1.512 entrevistados, 85 por cento dos paulistanos estão totalmente insatisfeitos com o trânsito na cidade. A pesquisa, encomendada pela organização Movimento Nossa São Paulo, apontou ainda que o paulistano passa diariamente em média 1 hora e 40 minutos no trânsito. Mauricio Broinizi Pereira, coordenador da secretaria-executiva da ONG Movimento Nossa São Paulo, reclama que "o transporte público é insuficiente". Segundo o engenheiro de trânsito Luis Vilanova, a necessidade de locomoção do paulistano é acelerada pela intensa atividade econômica da cidade mais rica do país. "A gente sempre brinca que o ministro da Fazenda é o engenheiro de trânsito mais importante", disse Vilanova, que também é editor do site de educação de trânsito www.sinaldetransito.com.br.

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