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Com crise, avaliação do governo cai pela 1ª vez desde 2007

A queda foi de 73% em dezembro para 64% em março, de acordo com dados da pesquisa CNI/Ibope

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

20 de março de 2009 | 14h33

O agravamento dos efeitos da crise financeira no Brasil levou a avaliação positiva do governo Lula - que vinha batendo sucessivos recordes - à primeira queda desde setembro de 2007, segundo a pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta sexta-feira, 20. A avaliação ótimo/bom caiu para 64% em março, ante 73% no levantamento de dezembro de 2008, enquanto a avaliação regular do governo subiu de 20% para 25%. Já a avaliação ruim/péssimo subiu de 6% para 10% no mesmo período.

 

"A crise gerou um recuo na popularidade do presidente e na confiança da população no presidente, o que teve impacto em oito das nove áreas pesquisadas", disse o diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marco Antônio Guarita

 

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Ao mesmo tempo, a confiança na atuação do governo no combate à crise caiu 15 pontos porcentuais, de 62% em dezembro para 47%. Por outro lado, a avaliação negativa subiu de 5% para 11% neste mesmo período. Os entrevistados que avaliaram como regular a atuação do governo federal no combate à crise subiram de 25% em dezembro para 34% em março.

 

A avaliação positiva das ações do governo de combate ao desemprego, por exemplo, registrou resultado negativo em março, o que não ocorria há um ano. O índice caiu de 57% em dezembro para 46% em março o porcentual de entrevistados que aprova a atuação do governo no combate ao desemprego. Por outro lado, subiu de 40% para 50%, no mesmo período de comparação, o porcentual daqueles que desaprovam as ações do governo nesta área.

 

Segundo o levantamento, em oito de nove áreas pesquisadas, aumentou a reprovação do trabalho do governo. Somente com relação à área de educação houve uma certa estabilidade na avaliação em comparação à pesquisa de dezembro, com oscilação dentro da margem de erro. A desaprovação ao governo subiu nas áreas de saúde, meio ambiente, impostos, taxa de juros, segurança pública, combate à inflação, combate à fome e à pobreza e combate ao desemprego.

 

Além disso, a pesquisa mostra que recuou de 62% para 59% aqueles que consideram que o governo está adotando as medidas corretas no enfrentamento da crise. Para 22%, as medidas não estão sendo adequadas ante um porcentual de 15% em dezembro. Os entrevistados que disseram não conhecer o suficiente para opinar caíram de 13% para 11%.

 

Administração

 

A aprovação à maneira como o presidente Lula administra o País também apresentou recuo de 84% em dezembro de 2008 para 78% em março. A desaprovação ao governo subiu de 14% para 19% nesse período. A nota média atribuída pela população ao governo do presidente Lula recuou de 7,8 em dezembro para 7,4 neste mês de março. A nota varia dentro de uma escala de zero a 10.

 

Ao mesmo tempo, a confiança no presidente recuou de 80% em dezembro de 2008 para 74% em março. Por outro lado, subiu de 18% para 23% os entrevistados que afirmaram não confiar no presidente Lula. A pesquisa também indicou uma redução na percepção de que o atual mandato do presidente Lula está sendo melhor do que o primeiro. Caiu de 49% em dezembro para 41% este mês o número de pessoas que avaliam que o segundo mandato é melhor do que o primeiro.

 

Os entrevistados que consideram o atual mandato pior do que o anterior subiram de 11% para 18% enquanto que aqueles que consideram igual as duas gestões passaram de 39% em dezembro para 40% em março.

 

Crise grave

 

A pesquisa CNI/Ibope revelou ainda que para 37% dos entrevistados a crise financeira internacional é muito grave. Esta percepção aumentou em relação a dezembro, quando 35% informaram considerar a crise muito grave. Aqueles que consideram a crise pouco grave subiram de 7% para 9% e os entrevistados que afirmaram que a crise é grave caíram de 49% para 46% no período.

 

A pesquisa mostrou também que subiu de 37% para 40% as pessoas que consideram que a economia brasileira será muito prejudicada pela crise. Por outro lado, caiu de 46% para 44% em março aqueles que acham que a economia será pouco prejudicada. Os entrevistados que consideram que a crise não terá impacto na economia caíram de 10% em dezembro para 9% em março.

 

Os dados apontam também um aumento na alteração dos hábitos de consumo ou de planejamento financeiro em decorrência da crise. A porcentagem de pessoas que já mudaram seus costumes

subiu de 20% em dezembro para 30%. O levantamento também mostra uma certa estabilidade entre aqueles que não alteraram e nem pretendem mudar os hábitos de consumo. O porcentual neste item caiu de 46% em dezembro para 45% em março. Além disso, 21% dos entrevistados informaram que ainda não alteraram seus hábitos, mas pretendem mudar. Este porcentual era de 27% em dezembro.

 

A pesquisa foi realizada de 11 a 15 de março e ouviu 2.002 pessoas em 144 municípios. A margem de erro é de dois pontos porcentuais.

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