Com CPMF, alguns programas não estariam na 'gaveta', diz Lula

Presidente reclama da ausência dos R$40 bi do tributo e culpa oposição por falta de recursos para saúde

Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2008 | 18h05

Horas depois da reunião da sua coordenação política haver decidido que o governo não vai apresentar uma nova CPMF para financiar a emenda 29, que amplia os recursos para a saúde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou nesta segunda-feira, 19, a reclamar da falta de recursos para a saúde e a educação e a criticar os senadores da oposição que derrubaram a prorrogação da CPMF.   Veja Também:  Entenda a Emenda 29   Entenda a cobrança da CPMF    Em encontro com centenas de prefeitos, num hotel em Brasília, para comemorar o primeiro ano do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), Lula disse que se tivesse no caixa os R$ 40 bilhões da receita da CPMF derrubada em dezembro no Senado, alguns programas do governo não estariam na gaveta, citando o "saúde na Escola".   " Na primeira creche do PDE que começar a funcionar, a gente vai pegar os ministros da área econômica e os senadores que votaram contra a CPMF e vai levá-los lá para ter a certeza de que é preciso mais dinheiro", afirmou. Indagou, em seguida: "O que poderíamos fazer com R$ 40 bilhões a mais por ano no orçamento e vamos deixar de fazer?".   O presidente da República começou o discurso aos prefeitos em tom de brincadeira. Ao receber uma miniatura do modelo de ônibus escolar que será adotado nos 5.445 municípios que aderiram ao PDE, comentou: "o que vai ter de prefeito fazendo campanha nesses ônibus aí..".   Lula aproveitou boa parte do discurso para ressaltar a prioridade que os prefeitos têm de dar à educação. Frisou que o resultado, que pode demorar a aparecer, é o principal legado que pais ou governantes podem deixar para seus filhos ou cidadãos.   Revelou que ao elaborar o programa Bolsa-Família, recebeu conselho de assessores para não trabalhar com os prefeitos, pela suspeita de corrupção de muitos deles. Sublinhou não ter considerado os conselhos porque os prefeitos, segundo o presidente, são os administradores públicos mais próximos da sociedade. "Para darmos uma educação de qualidade a todas as criança brasileiras, é preciso que estejamos unidos acima e além de nossos interesses partidários", destacou.   Desejou boa sorte aos prefeitos nas eleições de outubro, destacando que enquanto for presidente os prefeitos serão tratados sempre como " cidadãos de primeira classe e nunca como cachorros policiais".   Acentuou que ainda este ano mais de mil municípios devem receber ônibus escolares no âmbito do PDE. O presidente assinou uma série de convênios previstos no programa.

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