Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Com 'cola' na mão, Alckmin diz que momento é de passar Brasil a limpo

Pré-candidato à Presidência, governador defendeu uma reforma política e chamou partidos de 'pequenas empresas'

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

03 Abril 2018 | 12h23

VARGEM GRANDE PAULISTA - À véspera do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do habeas corpus preventivo contra a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governador tucano Geraldo Alckmin disse nesta terça-feira (3) que o Brasil precisa ser passado a limpo. “A justiça precisa ser feita, o Brasil precisa ser passado a limpo. Acho que nós estamos dando um exemplo para o mundo, de apuração, de investigação de não ter impunidade. Isso é importante.”

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Quando Alckmin fez essa declaração, ele tinha nas mãos um pedaço de papel com o título “Lula”, e a frase “A discussão jurídica cabe ao STF. Na política, vamos trabalhar para que Lula e o lulismo sejam condenados pelas urnas.” Alckmin não falou sobre o conteúdo da frase, que não foi dita no discurso, nem na coletiva, mas foi flagrada pela reportagem do Estado. Antes, ele havia pedido a seus assessores o contato da assessoria da ministra Carmen Lúcia, do STF.

Comentando o pronunciamento da ministra, na noite de segunda-feira, em que defendeu o respeito às opiniões diferentes e pediu “serenidade” para que as diferenças não resultem em desordem social, o presidenciável concordou com a fala, mas disse que “é inadiável” uma reforma política. “Estamos num ano que é eleitoral, de muita luta política e com um quadro muito confuso. Não é possível você ter 35 partidos políticos no Brasil. Você tem alguns partidos e outros que são pequenas empresas”, criticou.

Alckmin esteve em Vargem Grande Paulista, na Região Metropolitana de São Paulo, para entregar o sistema produtor de água São Lourenço, que vai produzir 6,4 mil litros de água por segundo para abastecer a região oeste da Grande São Paulo e aliviar o Sistema Cantareira. Desta vez, o governador não estava acompanhado do vice-governador Márcio França (PSB), a quem entrega o governo paulista na próxima sexta-feira para dedicar-se à corrida presidencial.    

A presença de França nos eventos, a convite do governador, em várias inaugurações anteriores chegou a ser criticada indiretamente pelo candidato tucano ao governo de São Paulo, João Doria, que lembrou o fato de que ele e França vão estar “em campos opostos”. O vice-governador vai disputar o governo pelo PSB.

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O evento foi prestigiado por quatro deputados estaduais e cinco prefeitos da região. Nos discursos ele foi saudado como "a pessoa com visão de água, de que o Brasil precisa". Durante a coletiva, Alckmin foi lembrado de que deixa o governo para disputar a presidência com aprovação bem menor do que tinha em 2016 e com outros candidatos em alta.

O governador disse que está preparado para o que considera um grande desafio. “Não há eleição fácil, e é bom que não seja fácil. A população tem dado demonstração de maturidade quando decide o voto mais perto da eleição. O eleitor ouve, avalia, compara e aí decide. É uma eleição de resistência e chegada. Estamos mais confiantes, mais maduros e preparados.” Ele fez uma crítica indireta ao governo federal, ao se referir à grande massa de desempregados no País. “O Brasil tem tudo para se recuperar. Não é possível ter mais de 13 milhões de desempregados num país com as dimensões do Brasil.”

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