'Com chegada de Freire, vamos salvar o Brasil', diz Temer

Cerimônia de posse de novo ministro da Cultura aconteceu na Sala de Audiências do Palácio do Planalto e foi fechada aos jornalistas; em discurso, presidente não citou nome de ex-ministro Calero

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Por Carla Araujo
Atualização:
Instituto Vladmir Herzog tem lançamento na Cinemateca. Quinta, 25. Foto: Paulo Giandalia/AE

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer disse nesta quarta-feira, 23, que o novo ministro da Cultura, Roberto Freire, vai ajudar a "salvar o Brasil". "Você traz para o governo esta simbologia de quem tem passado de lutas em favor do Brasil. O governo está ganhando muito. E se o governo foi bem até agora, eu vou dizer a vocês que a partir do Roberto, vai ganhar céu azul, vai ganhar velocidade de cruzeiro e vai salvar o Brasil", disse Temer, no discurso durante a cerimônia de posse do ministro, realizada na Sala de Audiências do Palácio do Planalto. A posse, diferente da maioria das outras de ministros, foi fechada à imprensa e transmitida aos jornalistas pela NBR, a TV do governo federal. No governo Temer, a única posse fechada aos jornalistas foi a do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Temer contou que o parlamentar já havia sido escolhido por ele para ser o titular da Cultura, mas disse que "na vida há acidentes" e quando ele assumiu a presidência e resolveu reduzir o número de ministérios, Freire entendeu a situação e abriu mão do cargo. "Como fui muito criticado porque queria reduzir o número de ministérios, o Roberto, só para demonstrar a grandeza do homem público, o que ele fez? Ele que já praticamente havia sido designado como ministro da Cultura, ele disse: Temer você tem que reduzir os ministérios, se não vai apanhar de nós", afirmou. O presidente lembrou que com a junção da Cultura com a Educação, entretanto, houve protestos que o fizeram separar as pastas. "Houve uma gritaria natural da cultura", disse. "Quando contestados devemos verificar a procedência ou improcedência dessas contestações. Quando as contestações forem legítimas, isso é o que determina espírito democrático, você revê, foi o que eu fiz", disse, ressaltando que no momento da recriação da pasta o ex-ministro Marcelo Calero já ocupava o cargo na secretaria da Cultura e assumiu o posto. "A essa altura não foi possível levá-lo, pois havia outro companheiro ocupando a secretaria", disse, sem citar o nome de Calero. Temer disse que ao convidar Freire para assumir o lugar de Calero - que deixou o governo após denúncias contra o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Viera Lima -, o então deputado pediu para falar com sua esposa e retornar no dia seguinte. "Ai pedi para ele ligar para a mulher dele e me responder em dez minutos, mas ele me respondeu em oito", disse.Posse. Sem a presença do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Viera Lima, a cerimônia de posse foi fechada e diferente da de Calero, que contou com muitos artistas. Na plateia, havia alguns políticos e outros ministros. Apesar disso, Temer fez questão de destacar a "plateia muito significativa". "Aqui há senadores, deputados, ministros da melhor qualificação pessoal, intelectual, política e são figuras, vejo pela fisionomia e pela atuação histórica, que estão todos preocupados com o Brasil." O presidente citou ainda que o governo está trabalhando para tentar tirar o País da crise, voltar a defender a PEC do teto dos gastos e afirmou que o "Brasil está numa recessão profunda". "É preciso primeiro vencer a recessão e depois retomar o crescimento. E com o crescimento é que vem o emprego", disse. Temer lembrou a reunião com governadores e disse que o governo tenta encontrar uma solução para a crise dos Estados. "Temos fases determinadas que estamos atravessando. Ontem, preocupados com a federação brasileira, reunimos aqui os 27 Estados", afirmou. Segundo o presidente, os governadores vieram dizer que precisam de verbas para suportar "os desastres". "Agora, eles vão seguir o exemplo da União e estabelecer o teto de gastos", disse. "Conseguirmos a ideia de que União, Estados e municípios devem trabalhar juntos em função do País, independentemente de interesses partidários. Temos que nos dar as mãos neste momento." 

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