Com bloco de apenas 27 votos, Viana depende do apoio do PSDB

Petista oficializa candidatura no Senado; Ideli Salvatti diz que Lula ficou contrariado com manobra de Sarney

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

22 de janeiro de 2009 | 00h00

A candidatura do petista Tião Viana (AC) a presidente do Senado é um fato consumado. Para não deixar dúvidas ao PMDB do candidato José Sarney (AP) de que haverá disputa no plenário, a líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), registrou a candidatura de Viana na Mesa Diretora no fim da tarde, por meio de um requerimento com a assinatura de líderes de seis partidos: PT, PSB, PDT, PR, PRB e PSOL. Àquela altura, a cúpula do PT já havia definido a manutenção da candidatura, ao mesmo tempo em que a direção do PDT decidia pelo apoio oficial dos cinco senadores a Viana, que conta também com o voto do representante do PC do B no Senado, Inácio Arruda (CE). Como estes partidos somam apenas 27 votos, tanto Viana quanto Sarney, ambos candidatos da base do governo, disputam os votos da oposição. "O presidente Lula não tem a menor condição de entrar em disputa entre dois partidos da base, mas as informações que nos chegam são de que ele ficou extremamente contrariado (com o lançamento de Sarney)", disse Ideli. No bastidor da caça aos votos, o PSDB é visto pelos dois candidatos como "fiel da balança". Sarney já visitou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e os peemedebistas contam com o voto dele e do líder Arthur Virgílio (AM), mas o PT também diz que tem a simpatia velada de Tasso e a preferência ostensiva do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), para quem Viana seria a melhor opção. "Em uma eleição como esta, conveniências e relações pessoais pesam muito", admite Guerra. "A decisão do PSDB será política e os nossos 13 votos irão para o mesmo candidato. Mas não temos pressa de decidir."Viana insiste em que também tem votos no DEM, embora o partido tenha fechado oficialmente com Sarney e se negue a apoiar um nome do PT. Em conversas reservadas, os petistas reconhecem que será difícil avançar sobre o DEM, dono da segunda maior bancada de senadores (13), atrás apenas do PMDB, que tem 20. Para os petistas, a bancada do DEM está comprometida com Sarney desde que obteve o apoio de seu grupo para aprovar o nome do ex-senador José Jorge (DEM-PE) para ministro do Tribunal de Contas da União. CÂMARADepois de se reunir no fim da manhã de ontem com Viana e o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), Ideli reafirmou a decisão de "honrar o compromisso com o PMDB da Câmara", elegendo o deputado Michel Temer (SP), que também preside o partido. O PDT também anunciou o apoio duplo a Viana e Temer. Nos bastidores, no entanto, a avaliação é de que o "efeito Sarney" tem impacto negativo sobre a candidatura de Temer e pode arrastar a definição para um segundo turno. Embora Temer esteja confiante na vitória folgada com pelo menos 300 votos (o mínimo necessário são 257), seus adversários contabilizam o ganho de uma centena de votos com o "efeito Sarney".É grande a resistência de petistas e pedetistas a entregar o comando das duas Casas do Congresso a uma única legenda. Tanto é assim que a Executiva Nacional e as bancadas pedetistas aprovaram uma emenda ontem, marcando nova reunião para reexaminar o apoio a Temer na próxima semana, caso Sarney mantenha a candidatura."Esta decisão foi unânime, para explicar que, ao apoiar Temer na Câmara, exige-se que as duas Casas não serão presididas pelo mesmo partido", relatou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). A reação só não foi maior porque o ministro do Trabalho e presidente licenciado do PDT, Carlos Lupi, ponderou que já havia dado apoio público a Temer e não poderia ser desautorizado.Parlamentares dos dois partidos recusam-se a fortalecer o grupo de Sarney e do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Os petistas responsabilizam Renan pelo lançamento "surpresa e fora de hora" do peemedebista. Estão empenhados em derrotar Sarney não só para dar vitória a Viana como para não dar força ao senador alagoano."Não há como negar que a candidatura Sarney tem repercussão na eleição da Câmara, mas vamos trabalhar para eleger Temer, inclusive porque teremos que administrar o dia seguinte. Temos responsabilidade com a governabilidade", diz Ideli. Ao mesmo tempo, adverte que "o voto é secreto, para o bem e para o mal". "Como a eleição no Senado será realizada primeiro, o resultado é imponderável." A sucessão será em 2 de fevereiro.

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