Com base fragmentada, Haddad vê 'hegemonia' na TV ameaçada por Serra

Sem os aliados de Dilma, que ainda não decidiram apoiar o partido em São Paulo, petista deve ter mesmo tempo do tucano em programas

Daniel Bramatti,

28 de abril de 2012 | 17h00

O ex-governador tucano José Serra e o petista Fernando Haddad podem ficar praticamente empatados na divisão do tempo de propaganda eleitoral se conseguirem fechar acordos com seus principais alvos no “mercado” das coligações em São Paulo. Gabriel Chalita, do PMDB, deve ficar em terceiro no rateio do tempo de TV, e os demais candidatos terão exposição típica de “nanicos”, dado o diminuto tamanho de suas bancadas na Câmara dos Deputados.

O PSDB é o partido mais avançado nas discussões para garantir espaço no chamado palanque eletrônico. Já está praticamente certa a coligação dos tucanos com DEM, PP, PV e PSD, e há chances de aliança com o PTB, apesar de o petebista Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, ter-se lançado na disputa pela Prefeitura.

O PT, por sua vez, não tem nenhum acordo totalmente fechado mas conta com PSB e PR como prováveis aliados. Ele espera atrair também o PC do B - o que depende de o pré-candidato Netinho desistir de concorrer.

Com a eventual conquista do PTB, a coligação pró-Serra teria 173 (34%) dos 513 deputados eleitos em 2010 - essa proporção é levada em conta na divisão do horário eleitoral. A aliança pró-Haddad, que eventualmente pode unir PT, PSB, PR e PC do B, abrangeria 178 deputados (35% do total).

Até o início do ano, quando Serra ainda não tinha decidido ser candidato e o PSDB não conseguia atrair apoios, Haddad e o PT mantinham uma expectativa de hegemonia sobre o tempo do horário eleitoral na televisão.

Apenas dois terços do tempo de TV, porém, são divididos com base no número de deputados de cada coligação. O outro terço é repartido com base no número de candidatos - uma incógnita, no caso de São Paulo. Por isso, o total de segundos destinado a cada concorrente só será definido após as convenções de junho. Até lá, só é possível trabalhar com cenários, como o exposto no quadro ao lado.

Sem chances. O total de prefeituráveis dependerá da manutenção ou não dos pré-candidatos do PTB e do PC do B e do apetite dos “nanicos”. Nada menos do que 11 partidos com bancadas minúsculas (menos de 3% das cadeiras) ou sem representação na Câmara discutem o lançamento de nomes. Nesse bloco estão siglas de extrema-esquerda (PSOL, PSTU, PCB e PCO) e uma novidade, o Partido Pátria Livre (PPL), criado em 2011 por remanescentes do MR-8, grupo que atuou na clandestinidade no regime militar e orbitou o PMDB em anos recentes.

Também estão na ala dos nanicos Celso Russomanno (PRB) e Soninha (PPS). Seus partidos têm, respectivamente, 1,6% e 2,3% dos integrantes da Câmara e devem obter pouco mais de um minuto (em cada bloco de 30) para expor suas plataformas.

Negociações. Boa parte dos partidos só definirá seu campo às vésperas das convenções. A proximidade do PSB com o PT no governo federal dita o ritmo das negociações em São Paulo, mas os líderes da legenda no Estado tentam escapar de uma coligação com Haddad - uma vez que são aliados do governador Geraldo Alckmin (PSDB). E o DEM, apesar de orbitar a candidatura do PSDB, mantém as portas abertas para o PMDB.

* Colaborou Bruno Boghossian

PARA LEMBRAR: Dilma lançou mão da tática

O extenso tempo de TV da então candidata Dilma Rousseff em 2010 foi determinante para a vitória dela em outubro daquele ano.

Assim como o pré-candidato a prefeito de São Paulo Fernando Haddad, Dilma nunca havia disputado uma eleição e era pouco conhecida pelo eleitor. Por conta disso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva costurou uma ampla aliança que contou com praticamente todos os partidos integrantes da coalização governista.

A candidata do PT teve 40% do total do tempo de TV reservado à propaganda eleitoral. Uma fatia 35% superior à do tucano José Serra.

Neste ano, Haddad já sofreu um revés nesse campo midiático. A Justiça Eleitoral puniu o PT com a perda de seu propaganda partidária. Ela seria utilizada para “apresentar” o pré-candidato ao eleitor paulistano. Segundo as pesquisas, ele ainda patina atrás dos rivais.

 

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