Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Com apoio velado do Planalto, Maia aposta em vitória no primeiro turno

Atual presidente do DEM é favorito na eleição da Câmara nesta quinta-feira, 2

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Candidato à reeleição com apoio do Palácio do Planalto, dos principais partidos do Centrão e até de uma parte da oposição, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disputará a eleição para o comando da Câmara nesta quinta-feira, 2, como favorito. Confiante, mesmo com a candidatura sub judice e com cinco adversários, o parlamentar fluminense de 46 anos prevê vitória já no primeiro turno da disputa.

Maia começou a articular a recondução ao cargo no dia seguinte a sua primeira eleição, em 14 de julho de 2016, para o mandato-tampão de quase sete meses, após a renúncia do então presidente da Câmara, o hoje deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Para isso, trabalhou para cultivar o apoio da oposição e para conquistar o Centrão, cujo candidato, Rogério Rosso (PSD-DF), saiu derrotado daquela disputa.

Como presidente da Câmara, Maia afagou a oposição como pode. Deu relatorias importantes, como a da comissão especial da reforma política, concedida ao deputado Vicente Cândido (SP), um de seus principais interlocutores no PT. Atendendo a pedidos de Orlando Silva (PCdoB-SP), outro grande aliado da oposição, resistiu à pressão de governistas e anulou a criação de uma CPI para investigar a União Nacional dos Estudantes (UNE).

No Centrão – bloco informal de 13 partidos da base que reúnem cerca de 220 deputados – Maia aproveitou a cassação e prisão de Cunha, que liderava o grupo, para conquistar votos. Com ajuda do Planalto, conseguiu apoio formal de pelo menos seis partidos do grupo: PP, PR, PSD, PRB, PHS e PTN, isolando os candidatos do bloco, Jovair Arantes (PTB-GO) e Rosso. Uma vitória de Maia significará o sepultamento do Centrão. 

O Planalto também ajudou Maia a consolidar o apoio do PSDB, principal aliado do governo Temer. Em troca da Secretaria de Governo, os tucanos desistiram de lançar candidatura própria à presidência da Câmara e decidiram apoiar a reeleição do deputado do DEM. A Pasta, que cuida da articulação política do Executivo com o Legislativo, deve ser entregue ao deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA).

Toda a “ajuda” do Planalto tem uma razão. No comando da Câmara, o deputado do DEM trabalhou alinhado ao governo. No plenário, pautou praticamente apenas a agenda do Executivo, o que levou oposição e base a dizer que ele atuar como “líder do governo”. A reeleição de um aliado fiel como Maia significa, portanto, previsibilidade para o governo em um ano que espera aprovar reformas importantes, como a da previdência e a trabalhista. 

No Planalto, o atual presidente da Câmara, que está no quinto mandato consecutivo como deputado, conta também com um importante “cabo eleitoral”: o secretário do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) do governo, Moreira Franco (PMDB). Padrasto da esposa de Maia, o peemedebista um dos políticos mais próximos do presidente Michel Temer, de quem é "conselheiro" e se diz “amigo” há mais de duas décadas. 

Judiciário. Alvo de ações na Justiça questionando a legalidade de sua reeleição, Maia trabalhou ainda para estreitar relações com o Judiciário. Como presidente da Câmara, intensificou o contato e fez acenos durante votações na Casa, como na votação do pacote anticorrupção, quando fez questão de dizer publicamente que era contra aprovação de crime de responsabilidade e abuso de autoridade para magistrados e membros do Ministério Público. 

Confiante, Maia acredita que dificilmente o Supremo Tribunal Federal (STF) vai barrar sua reeleição. Ele aposta que uma vitória expressiva já no primeiro turno da disputa enterrará de vez qualquer chance de questionamento. Com apoio declarado de 14 partidos, ele calcula que poderá chegar a mais de 330 votos. A votação, porém, é secreta, o que permite traições - algo muito comum na política.

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