RAFAEL ARBEX/ESTADÃO
RAFAEL ARBEX/ESTADÃO

Com apoio do 'Estado', Instituto Fernand Braudel debate instituições brasileiras

Entidade inicia ciclo de colóquios para discutir o País; evento começa nesta sexta-feira, 11, e é gratuito

O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2017 | 05h00

O Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, com apoio do Estado, inicia um ciclo quinzenal de colóquios sobre a consolidação e o aprimoramento das instituições brasileiras. O primeiro convidado será o embaixador e ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero. Ele conduzirá um diálogo sobre evolução institucional do Brasil desde o Plano Real, lançado por ele em 1994.

O evento ocorre nesta sexta-feira, 11, às 17h, na Casinha dos Círculos de Leitura do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, localizado na Rua Tinhorão, 60, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. A entrada é gratuita.

“Nos colóquios, iremos receber jovens de alto potencial e interessados nos rumos do País. A ideia é discutir as nossas instituições e o quanto podemos melhorá-las. O que sinto é que o brasileiro é muito passivo e, ao mesmo tempo, com poucos canais de participação. Nesse momento da vida política, é preciso estar alerta”, disse Norman Gall, diretor executivo do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial. Para Gall, o Brasil precisa de novos líderes. “Nosso papel é abrir caminhos para esses jovens e qualificá-los. Esse é o nosso trabalho.” 

Por meio do colóquio do ex-ministro Ricupero, o instituto quer fomentar a discussão e responder duas perguntas: “Por que não surgem novas lideranças no Brasil? ” e “O que devem fazer as novas lideranças para melhorar a qualidade de vida pública? ”. A base da palestra será o livro A Diplomacia na Construção do Brasil 1750-2016, de autoria do próprio Ricupero, e que será lançado até o fim do ano.

Em um dos trechos do livro, Ricupero fala sobre o fracasso ou sucesso das nossas instituições. “Os países que dão certo são aqueles onde as instituições se revelaram capazes de se autorreformar no grau necessário e na hora adequada. Estará o Brasil entre eles? A resposta vai depender não do fado ou das estrelas, e, sim, do que acontecer a partir de agora e nos próximos anos. Nada, nem o sucesso nem o fracasso, está predeterminado ou garantido.”

Programa. Além da inédita obra de Ricupero, o programa de colóquios terá como base a seguinte bibliografia: Cidadania no Brasil: O longo caminho, do historiador José Murilo de Carvalho; A Luta Contra a Corrupção: A Lava Jato e o Futuro de um País Marcado pela Corrupção, de Deltan Dallagnol; As Origens da Ordem Política: Dos Tempos Pré-Humanos até a Revolução Francesa de Francis Fukuyama; Pós-Guerra: Uma História da Europa desde 1945 de Tony Judt, diretor do Instituto de Estudos Europeus na Universidade de Nova York, e O Futuro da Democracia de Norberto Bobbio. Também será usado nos diálogos o rico acervo dos Braudel Papers, publicados nas últimas décadas.

O tema da reforma política também deve permear os debates sobre as instituições brasileiras. “Acredito que não é preciso uma reforma política para evoluir; o que precisa é evoluir para fazer uma reforma política”, afirmou Gall.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.