Com aplausos a Olívio Dutra, sem-teto prometem megaocupação

O ministro das Cidades, Olívio Dutra, foi a grande estrela do evento promovido hoje pela União Nacional por Moradia Popular (UNMP), que aprovou uma megaocupação de prédios públicos para o dia 12 de maio em todo o país. Aplaudido pelos cerca de 400 delegados, o ministro aceitou a camiseta do movimento e teve uma reação branda ao comentar a ameaça feita pelos sem-teto. "Os movimento sociais podem e devem deliberar suas táticas, evidentemente, o governo vai trabalhar no sentido de que todas elas possam ser enquadradas no estado de direito democrático", afirmou.Para uma platéia atenta, Dutra traçou um cenário sobre o drama da falta de habitação e saneamento básico no Brasil e destacou a importância de movimentos sociais, lembrando que o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, nasceu das lutas sindicais. "Fazemos questão que a sociedade brasileira esteja ativa, viva, participantes. Os movimentos sociais inclusive têm assento no conselho das Cidades", frisou.O ministro se esquivou de responder se o governo iria respeitar as ocupações em prédios públicos feitas pelos sem-teto. "O governo tem o limite que é o estado de direito democrático. Todos no nosso País podem se movimentar nos limites do estado de direito democrático, inclusive o próprio governo", disse. Dutra negou ainda que sua presença no evento possa legitimar as novas ocupações. "Vamos estar em todos os encontros de dimensão nacional. Isso é o compromisso de um governo democrático, isso é respeitar a diversidade e a pluraridade das demandas e dos interesses do povo brasileiro"Durante o evento, ele informou que o governo pretende encaminhar ao congresso até o final do ano um substitutivo ao projeto de lei 2710/92, que prevê a adoção de um fundo nacional por moradia popular. O fundo teria como objetivo bancar a construção de casas populares e daria acesso a crédito habitacional a pobres. Dutra ponderou que existem demandas sociais muito antigas no Brasil, que não serão resolvidas de "uma hora para outra e nem intempestivamente". Por isso, segundo eles, os movimentos têm muitas razões para se mobilizarem e mostrarem suas propostas ao país.Veja a galeria de fotos de invasões

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