'Com algema, ou sem algema?', ironiza Renan sobre acareação

Lyra, ex-sócio de senador, ligou para o corregedor do Senado nesta terça afirmando que aceita tête-à-tête

Rosa Costa e Celso Júnior, Agencia Estado

21 de agosto de 2007 | 18h24

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), alvo de três processos no Conselho de Ética, respondeu com ironia sobre uma possível acareação como usineiro alagoano João Lyra: "Com algema ou sem algema?". A declaração foi feita pelo senador ao chegar ao gabinete de Antonio Carlos Magalhães Filho (DEM-BA) nesta terça-feira, 21. Lyra afirma ter sido sócio de Renan nas duas emissoras de rádio e confirmou o uso de "laranjas" no negócio. Também nesta terça-feira, o usineiro disse que aceita acareação com o senador.      Veja também:  Cronologia do caso Renan    Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação Veja especial sobre o caso Renan Para relator, novos extratos de Renan não mudam períciaViana envia a Tarso Genro novos documentos de Renan O advogado de Lyra ligou para o gabinete do corregedor do Senado, senador Romeu Tuma (DEM-SP), e avisou que seu cliente aceita submeter-se a um tête-à-tête com o presidente do Senado no Conselho de Ética da Casa. Renan apresenta versão diferente da de Lyra e diz que nunca manteve sociedade com o usineiro. Ainda segundo o advogado do usineiro, Lyra especificou que a acareação seria apenas com Renan e não com seu suposto "laranja" Tito Uchoa, primeo do senador. O corregedor, que está em São Paulo, informou que amanhã mesmo encaminhará requerimento ao Conselho de Ética propondo a acareação. No Senado, Renan respondeu mais uma vez negativamente ao pedido para deixar a presidência da Casa enquanto é investigado no Conselho de Ética em três processos. "Não sairei porque a mera saída significaria compactuar com a maledicência", disse em resposta à provocação do líder do PSDB, senador Arthur Virgílio. Virgílio pediu mais uma vez nesta terça-feira para Renan deixar a presidência. Sobre a perícia que deve ser entregue ainda nesta terça-feira ao conselho pela Polícia Federal, afirmou que torce para seja técnica e seja mais um elemento para "mostrar a verdade".  O tucano defendeu também agilidade no andamento do processo envolvendo Renan que, por sua vez, concordou: "Temos que acelerar". E disse: "Eu estou fazendo tudo com total dedicação, porque além de mim está exposta a instituição. Na medida em que fica dúvidas atinge a instituição", completou Renan. Virgílio anunciou ainda que o partido continuará obstruindo as votações desta terça-feira e que a bancada do partido irá se reunir para decidir se votará ou não a Medida Provisória (MP) que permite o parcelamento da dívidas das cooperativas e dos produtores rurais contraídas nos últimos quatro anos e o parcelamento de débitos de micros e pequenos empresários que aderiram ao Super Simples. Na sessão desta terça, não houve acordo entre governo e oposição e a expectativa é de que a MP seja votada nesta quarta-feira. José Agripino (RN), líder do DEM no Senado, reiterou também que o partido obstrui a pauta. "Obstruir a pauta é decisão coletiva, se o governo resolver votar, que vote. Mas nós obstruiremos", afirmou.  Perícia O resultado da perícia nos documentos de Renan mostra que o senador tinha renda para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso - com quem tem uma filha fora do casamento - mas não prova que todo o dinheiro saiu do seu bolso. Laudo deve revelar ainda inconsistências na evolução patrimonial de Renan e fragilidade nas notas e recibos, muitos emitidos por empresas inidôneas.  Os peritos do INC constataram ainda, na análise dos documentos, que a fortuna acumulada por Renan nos últimos anos não tem amparo nas suas rendas de parlamentar e pecuarista. A movimentação bancária dele no período de 2002 a 2006 está acima da renda declarada e o montante a descoberto não tem origem justificada. Os recibos e notas fiscais apresentados como defesa também não são suficientes para comprovar que Renan faturou R$ 1,9 milhão com a venda de gado no período. Renan responde a processo por quebra de decoro, sob a acusação de ter despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Com a papelada, Renan buscou provar que faturou R$ 1,9 milhão em quatro anos com venda de gado e tinha renda para pagar a pensão, não precisando de ajuda de Gontijo. Se for condenado, Renan pode ser cassado e ter os direitos políticos suspensos. Senador responde a dos outros processos: um sobre negócio suspeito de sua família com a Schincariol e o uso de "laranjas" na compra de emissoras de rádio em Alagoas.  Uma cópia do laudo será entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), que abriu inquérito sobre suspeitas de enriquecimento ilícito, uso de documentos falsos, prevaricação e crime financeiro. A perícia responderá a 30 quesitos formulados pelo conselho. Poucas são favoráveis ao senador, como o fato de que o preço do gado está dentro do valor de mercado e não há sinais de superfaturamento.

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