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Com ajuda de Renan, Senado aprova auditoria do TCU em decretos de Temer

Conforme revelado pelo 'Estado', vice-presidente assinou sete decretos para abertura de crédito ao Orçamento; caso pode dar subsídio para um pedido de impeachment contra ele

Adriano Ceolin, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2015 | 18h17

BRASÍLIA - Sem alarde, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), atuou na tarde desta quinta-feira, 17, para aprovar um requerimento que determina uma auditoria do Tribunal de Contas de União (TCU) em sete decretos assinados pelo vice-presidente da República Michel Temer (PMDB) para abertura de crédito ao Orçamento. O caso pode dar subsídio para um pedido de impeachment contra Temer, pois a peça que pede o afastamento da presidente Dilma Rousseff do cargo lista decretos com a mesma característica – isso porque ferem a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O caso dos decretos de Temer foi revelado por umar reportagem do Estado no último dia 8. O requerimento de auditoria contra o vice foi apresentado pelo líder da minoria, Alvaro Dias (PSDB-PR). Ao ler o texto do pedido em plenário, Renan deixou de dizer claramente que a auditoria se dará sobre decretos assinados pelo vice. O presidente do Senado leu o pedido de Dias sem detalhar a sua justificativa onde consta o nome de Temer. Em seguida, colocou em votação simbólica. Nenhum senador se posicionou contra o pedido foi aprovado.

A ação de Renan é um ataque a Temer, que tem se movimentado nos bastidores para assumir o lugar de Dilma Rousseff. Anteontem, o senador e Temer entraram em conflito público ontem, depois que o vice fez aprovar na Executiva Nacional do PMDB uma resolução para proibir novas filiações ao partido. O presidente do Senado chegou a criticar publicamente Temer, afirmando que “o PMDB não tinha dono”. Por meio de nota, Temer rebateu que o partido não tem dono “nem coronel”.

Confira a justificativa para a auditoria dos decretos em que consta o nome de  Temer : “A publicação de decretos não numerados abrindo crédito suplementar, sem autorização parlamentar nos anos de 2014 e 2015, constitui um dos fundamentos  para o processo de impeachment em curso na Câmara dos Deputados.  Em 2015, até o momento, foram publicados dezessete decretos não numerados abrindo créditos suplementares. Desse total, quatro foram assinados pelo vice-presidente da república Michel Temer nos dias 26 de maio e 07 de julho do corrente ano. Assim como os Decretos assinados pela Presidente da República Dilma Rousseff, os Decretos assinados pelo vice-presidente Michel Temer, informam que os recursos necessários à abertura dos créditos decorreram de: anulação parcial de dotações orçamentárias, superávit financeiro e excesso de arrecadação. São, portanto, atos similares.”

O caso deverá ser avaliado para o TCU. Este ano, o tribunal rejeitou por unanimidade as contas da presidente Dilma Rousseff. A assinatura de decretos suplementares foi um dos motivos que embasou a decisão.

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