Com ajuda de aliados, Renan ganha tempo no Conselho de Ética do Senado

Presidente do colegiado decide adiar por pelo menos um mês a conclusão dos dois processos mais espinhosos

Rosa Costa e Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

03 de outubro de 2007 | 00h00

A oposição conseguiu rejeitar a unificação dos processos, mas quem saiu vitorioso ontem da reunião do Conselho de Ética, mais uma vez, foi o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Além da protelação, prevaleceu a tática das ameaças, feitas desta vez pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE), destacado membro da tropa de choque de Renan, que será relator de um dos três processos que ainda pesam contra ele.Renan ganhou tempo com a decisão do presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), de adiar por pelo menos um mês a conclusão dos dois processos mais espinhosos contra ele: o que trata da compra de duas rádios e um jornal em nome de laranjas e o que se refere à suposta coleta de propina em ministérios comandados por peemedebistas. Quintanilha adotou a medida após recuar da decisão de véspera, de entregar os dois processos a Almeida Lima.O presidente do conselho admite que a conclusão dos processos pode ficar para 2008. Atenderá, com isso, à expectativa da tropa de choque de Renan de esticar as investigações, para esvaziá-las. "Não há garantia nenhuma de que vamos terminar neste ano. Vai depender dos relatores. Se eles pedirem mais prazo, vou conceder", avisou, ao informar que eles têm 30 dias para apresentar os pareceres.PROTESTOSO encontro de ontem foi praticamente tomado por protestos contra a indicação de Almeida Lima como relator. Por três horas, o presidente do conselho foi bombardeado. No fim, cedeu, desmembrando os processos e deixando o senador sergipano com uma relatoria. Quintanilha prometeu para hoje a indicação de mais um relator. "Vou fazer uma consulta e ouvir os líderes." O senador Renato Casagrande (PSB-ES) disse que, se fosse ele, não indicaria Almeida Lima. "A decisão expõe o Senado. A dose de remédio foi exagerada e pode se transformar em veneno."O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), fez coro. Acusou Quintanilha de ter feito "uma provocação" ao indicar sumariamente Almeida Lima para relatar dois processos. "Para mim, a decisão de vossa excelência soou como uma provocação clara. O desprestígio da instituição em sua medida está sob sua responsabilidade", atacou. Quintanilha reagiu: "A decisão não teve intuito nenhum em provocar ninguém." SCHINCARIOLIndicado no dia 16 de agosto como relator da segunda denúncia contra Renan, João Pedro (PT-AM) adiou a apresentação de seu parecer por mais 30 dias. Ele disse que aguarda algumas informações solicitadas.Nessa investigação, Renan é acusado de agir na Receita Federal e no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para diminuir multas impostas à Schincariol, após a empresa ter pago R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerantes de seu irmão, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL) - valor maior do que o de mercado.

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