Com agenda intensa de viagens, Lula já se queixava de cansaço

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vinha há dias reclamando de cansaço. Na noite passada, sua pressão arterial disparou, contrariando a máxima de seu médico pessoal de que possui uma saúde de ferro.

NATUZA NERY, REUTERS

28 de janeiro de 2010 | 18h48

O diagnóstico: hipertensão. A causa apontada pelos médicos: quadro típico de estresse puxado por uma pesada agenda oficial.

Foram 12 cidades percorridas nos últimos 14 dias e mais de 30 compromissos. Lula sofre de insônia e, quando despacha de Brasília, trabalha em média 12 horas por dia. Não raro, transfere seu gabinete para casa, o Palácio da Alvorada.

Sua pesada agenda o obrigou a interromper a primeira viagem internacional do ano, o Fórum Econômico Mundial.

Cerimônias, jantares, inaugurações Brasil afora e atividades com o PT acabaram resultando em uma noite no hospital sob observação e à base de diuréticos.

"Se eu fizer a agenda dele, vou para a cama em 10 dias. Lula trabalha 16 horas por dia", disse o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP).

Lula não fez seu check-up de 2009. Dias atrás, chegou a brincar com isso, numa frase que, mais tarde, se revelaria quase premonitória.

"Eu não fiz porque o (vice-presidente) José Alencar está com um problema de saúde, a (ministra da Casa Civil) Dilma teve o problema dela. Eu pensei: pô, se eu fizer e der alguma coisa também, a República está desgraçada. Aí eu falei para o meu médico: 'vamos esperar, em janeiro eu faço'", brincou.

Em Recife, onde passou o dia na véspera queixando-se de mal-estar, disse em um discurso que sentia dor de garganta, por isso falaria pouco. Horas antes de ser internado, arrancou aplausos da plateia quando afirmou não querer ser o primeiro paciente do hospital inaugurado naquela tarde.

Ele chegou atrasado para o jantar oferecido pelo governador Eduardo Campos (PSB), seu aliado próximo. Não quis comer. Disse que faria uma refeição leve no avião rumo à Suíça.

Por ordem médica, não conseguiu levantar voo.

Seu médico na Presidência, o coronel Cleber Ferreira, foi quem recomendou a internação na capital pernambucana. Em rotinas de viagens, ele sempre mede a pressão de seu mais importante paciente. Em geral, segundo relatos de fontes, sempre diz: "O presidente tem uma saúde de ferro, pressão arterial e frequência cardíaca de um atleta."

Lula teria dormido mal na noite anterior.

Hoje descansa em sua casa em São Bernardo do Campo. No final de fevereiro tem marcada uma série de compromissos em pelo menos quatro países, entre eles o Haiti.

Nas viagens de avião --apesar da cama de casal em uma área privativa da aeronave--, dificilmente consegue um repouso tranquilo. O presidente tem medo de voar.

(Reportagem adicional de Carmen Munari, em São Bernardo do Campo)

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