NILTON FUKUDA | ESTADAO
NILTON FUKUDA | ESTADAO

Com adesão menor, grupos preparam novos atos pró-impeachment para março

Primeiros atos após o início do processo de destituição da presidente Dilma Rousseff no Congresso têm participação mais fraca em relação aos de agosto deste ano

Célia Bretas, especial para O Estado de S. Paulo

13 de dezembro de 2015 | 18h05

(Atualizada às 21h45)

As primeiras manifestações de rua convocadas por movimentos contrários ao governo Dilma Rousseff depois de o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aceitar o processo de impeachment da presidente foram menores do que o esperado pelos organizadores, que já preveem novo ato em março do ano que vem. Os atos, no entanto, mantiveram a capilaridade e ocorreram em todas as unidades da federação.

Em São Paulo, principal palco das manifestações anti-Dilma no País, os atos na Av. Paulista foram visivelmente menores e representantes do Movimento Brasil Livre estimaram em 80 mil pessoas. Já o líder do Vem Pra Rua falou em 100 mil pessoas. A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo contabilizou 30 mil pessoas no auge do movimento na Av. Paulista, às 16h15.

Ainda de acordo com as autoridades, nos outros municípios do Estado foram registrados 6,5 mil pessoas nos protestos.  Os números são bem inferiores aos dos protestos de agosto, quando a Polícia Militar registrou 350 mil pessoas na Av. Paulista. "A gente já esperava que a manifestação de hoje tivesse menos gente, já que tivemos só dez dias para organizar", disse Rogério Chequer, porta-voz do Vem Pra Rua presente na capital paulista.

Segundo ele, o grupo já organiza um novo protesto para março de 2016. Como na última manifestação, os senadores tucanos Aloysio Nunes e José Sera compareceram à manifestação na Paulista. "Estou aqui para dizer que não vai ter golpe, o que vai ter é impeachment. Queremos pôr fim a um governo que não deveria ter começado", disse o Nunes. 

Já Serra passou cerca de 15 minutos circulando em torno do caminhão de som do grupo Vem Pra Rua e fez, do chão, um breve discurso ao microfone: "Eu acredito que só a mobilização da população brasileira vai tirar o Brasil desta situação. Estejam certos de uma coisa: no Congresso nós lutamos pela mesma coisa", disse o senador. Em entrevista antes de ir embora ele afirmou que a participação do PSDB em um eventual governo Michel Temer vai depender de "entendimento com base em programa".

 No Rio de Janeiro, a Polícia Militar registrou 3 mil manifestantes que percorreram a orla de Copacabana com bandeiras e palavras de ordem contra a presidente. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) participou do ato e foi recebido como popstar entre os manifestantes que o cumprimentaram e tiraram selfies com ele.

Na capital mineira o número de manifestantes também foi menor que o de agosto, 5 mil segundo estimativas da polícia, ante 6 mil do protesto realizado há quatro meses. Além disso, diferente daquela ocasião o presidente nacional do PSDB, senador e ex-governador do Estado Aécio Neves não participou do protesto em Belo Horizonte.

Neste domingo, um homem chegou a ser detido por tentar furar um boneco inflável do ex-presidente Lula que estava na Praça da Liberdade, palco dos protestos na região centro-sul da capital mineira. Ele chegou a ser detido pela PM que teve que usar bombas de gás para dispersar manifestantes enquanto prendia o homem para evitar princípios de tumulto.

Chuva. Em Brasília, o ato também foi visivelmente menor em relação a agosto e começou por volta das 10h30  em frente à Catedral Metropolitana, de onde os manifestantes seguiram para a Esplanada dos Ministérios. Por volta de 12h30, o ato começou a dispersar devido a chuva que se iniciava. A Polícia Militar estimou 3 mil manifestantes no auge do protesto. Em agosto, as autoridades estimaram 25 mil manifestantes no ato realizado na capital federal.

A manifestação também contou com a leitura de um manifesto, produzido pelos organizadores dos movimentos Vem Pra Rua e Brasil Livre, que pediam "coragem" aos parlamentares e cobravam do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, "a prisão dos políticos envolvidos da Lava Jato".

Em Palmas, capital do Tocantins, a chuva também atrapalhou a manifestação que deve baixa participação. Pouco mais de 50 pessoas se reuniram na Praça dos Girassóis, mas, apesar do empenho dos organizadores, que chegaram a interditar a avenida, distribuindo adesivos com a frase "Não vamos nos dispersar", poucos motoristas se sentiram incentivados a participar. 

"Queremos uma nova fase de esperança e mudança, queremos voltar a bater no peito e sentir orgulho do nosso Brasil", dizia o texto.

No Rio de Janeiro, a manifestação percorreu a orla da praia de Copacabana e contou com a presença do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), tratado como popstar pelos manifestantes que pararam para cumprimentá-lo e também tirar fotos com o parlamentar.

Calor. Com a alta temperatura em várias cidades litorâneas, as manifestações também ficaram abaixo da expectativa em outras capitais do País. Embora os organizadores do ato em favor do impeachment da presidente estimassem a presença de 100 mil pessoas - mesmo número de manifestantes de 15 de março - em Vitória (ES), neste domingo eles contabilizaram a presença de apenas duas mil. A Secretaria Estadual de Segurança Pública do Espírito Santo (SESP), no entanto, contabilizou um número ainda menor, 600 pessoas.

O médico Marcelo Pimentel, integrante do movimento, explicou as razões para a baixa adesão. "Fim de ano, época de férias, shoppings lotados, véspera de Natal. Mas, não poderíamos deixar de fazer, já que foi feito no País inteiro. Se só Vitória não participasse ficaria estranho. Independente da quantidade, o que importa é manter a ideia de combater o PT e ser a favor do impeachment", disse.

Mesmo com o sol forte, os manifestantes na capital seguiram em passeata vestidos de verde e amarelo, portando a bandeira nacional. Em Vila Velha, na região metropolitana da capital do Espírito Santo, os organizadores contabilizaram 1,5 mil participantes, enquanto a Sesp contou 600. O plano inicial de atravessar a Terceira Ponte, que liga o município à Vitória, para encontrar os demais manifestantes da  foi frustado pelo forte calor, segundo Pimentel. 

Na Bahia, a manhã quente e ensolarada deste domingo se mostrou bem mais atraente para o banho de mar, que para manifestações de rua em Salvador, onde a Polícia Militar estimou em 500 o número de pessoas que participaram do protesto a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O público foi bem menor que o de eventos anteriores, e que o esperado pelos organizadores dos movimentos Vem Pra Rua e Na Rua. Os organizadores acreditavam reunir cerca de cinco mil pessoas até as 14 horas no Farol da Barra, onde aconteceram os atos, mas findaram afirmando que entre 1,5 e 2 mil pessoas estiveram no local, pela manhã. 

Com o calor de 33ºC, o número de manifestantes também foi muito abaixo do esperado em Florianópolis (SC) .  Segundo a PM, apenas cerca de 250 pessoas participaram do ato, enquanto os próprios organizadores falavam em 5 mil pessoas. As lideranças do MBL, contudo, esperavam reunir 20 mil pessoas.

Em João Pessoa (PB), o  ato pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff reuniu 300 pessoas, segundo a Polícia Militar. Durante a caminhada dos manifestantes, houve um princípio de confronto com pessoas que estavam nas ruas. Os grupos vestidas de verde e amarelo trocaram empurrões com moradores que não concordavam com a manifestação. A Polícia Militar interveio e separou os grupos. A marcha começou no cruzamento das avenidas Tito Silva e Epitácio Pessoa, com cerca de 50 pessoas, e seguiu em direção à orla. Na altura do busto de Tamandaré, outros grupos se juntaram aos manifestantes, aumentando a adesão. O ato, organizado pelos movimentos Brasil Livre, Vem Pra Rua, Acorda Brasil e Direita Paraibana, se encerrou com o hino nacional.

Em Belém (PA), o ato nas ruas centrais reuniu 1,2 mil pessoas segundo as autoridades e 6 mil segundo os organizadores. A manifestação foi marcada pela encenação do deputado federal Eder Mauro (PSD-PA), que também é delegado de polícia licenciado, e simulou a prisão do ex-presidente Lula, algemando-o, durante o protesto.

Em frente ao Teatro da Paz, na Praça da República, um grupo de 80 manifestantes ligados ao PT e a partidos de esquerda gritou palavras de ordem contra o deputado, chamando-o de "fascista". A Polícia Militar formou um cordão de isolamento entre os grupos pró e contra o impeachment, evitando que houvesse confronto físico.

Em Goiás, a PM informou que duas mil pessoas participaram das manifestações nas ruas da capital Goiânia. Os manifestantes se reuniram na Praça Tamandaré, uma das principais da cidade, e caminharam em direção à Praça do Ratinho, no setor Marista. A PM informou ter mobilizado cerca de 150 policiais para acompanhar a manifestação. A organização do protesto chegou a falar em 4 mil pessoas no ato.

Já em Porto Alegre (RS) os protestos foram marcados pela presença do grupo musical La Banda Loka Liberal, cantando músicas contra o governo e o PT. Segundo os organizadores, o protesto reuniu pelo menos 3 mil pessoas, as a Polícia Militar estimou o número de 400.

A concentração ocorreu em um ponto da Redenção, que é um dos maiores parques públicos da capital gaúcha e oferece uma série de opções de lazer. Além dos manifestantes, havia muitas pessoas nos arredores que vieram aproveitar a tarde de domingo no parque. o que, segundo a polícia, dificultou o cálculo do número de participantes.

Em São Luís (MA),  cerca de 500 pessoas de acordo com as contas dos líderes do movimento, e 300 manifestantes segundo a Polícia Militar, participaram do ato que defende o impeachment da presidente Dilma. O presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, também são alvos do protesto. 

O número foi bem abaixo do esperado, a organização do ato esperava reunir cerca de 2 mil protestantes. Ao terminar a passeata foi cantado o hino nacional e feito um convite para o próximo ato nacional que deve ocorrer no dia 13 de março. O ato deste domingo não se restringiu a presidente Dilma, mas também a Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Flávio Dino e Rubens Pereira Júnior. Apoiaram o movimento os deputados federais João Castelo e Eliziane Gama, mas não se fizeram presentes.

Em Campo Grande (MS), a Polícia Militar estimOU que 1,3 mil pessoas participaram do ato que durou cerca de uma hora. A organização do evento, no entanto, falou em 4,5 mil manifestantes. Os manifestantes caminharam 1,6 Km. A concentração começou às 16h (horário local) no cruzamento da avenida Afonso Pena com a Rua José Antônio, centro, onde há o obelisco da cidade e seguiu até a sede do Ministério Público Federal (MPF).

/ Pedro Venceslau, Marcio Dolzan, Isabela Bonfim, Gabriela Lara e José Maria Tomazela, correspondentes e Leonardo Augusto, Carlos Mendes e Anna Ruth Dantas especiais para O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.