Juca Varella|Estadão
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Com acordo de leniência, Odebrecht busca reabrir portas dos bancos

Expectativa da companhia é de se estabilizar financeiramente a partir do fechamento das negociações, que ainda estão pendentes

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2016 | 05h00

A Operação Lava Jato mudou o Grupo Odebrecht. Um terço dos funcionários foi embora, empresas foram vendidas, dívidas foram renegociadas, obras paralisadas e mais de 70 executivos foram envolvidos na delação premiada. Agora, a expectativa da companhia é de se estabilizar financeiramente a partir do fechamento do acordo de leniência, que ainda está pendente. 

O interesse comercial por trás do acordo era reabrir as portas do sistema bancário, que se fecharam com as denúncias de corrupção. Outro ponto importante era evitar ser declarada inidônea, o que a impediria de participar de qualquer processo de licitação. 

Imediatamente, a empresa já terá de buscar recursos para pagar a multa estabelecida com o acordo: em torno de R$ 6 bilhões. De acordo com fontes próximas à companhia, a multa será paga em parcelas, o que deve dar fôlego para a empresa. Com uma dívida bruta de R$ 110 bilhões, durante todo esse ano marcado pelas negociações com o Ministério Público, a empresa tentou e conseguiu evitar qualquer processo de recuperação judicial de suas empresas. 

Uma das situações mais delicadas era com a Odebrecht Agroindustrial, que tinha uma dívida de R$ 13 bilhões, prorrogada há alguns meses. A empresa também anunciou um plano de venda de ativos de até R$ 12 bilhões para fazer caixa. Vendeu a Odebrecht Ambiental por US$ 878 milhões, se desfez de sua participação em concessões no Peru e os parques eólicos que estavam no braço da Odebrecht Energia. Com as vendas, conseguiu reduzir as dívidas em R$ 5 bilhões.

Apesar das vendas e da renegociação de dívidas, a empresa ainda tem desafios pela frente. Parte de suas obras de estradas estão paralisadas, como a BR-163, no Mato Grosso, à espera de dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, renegocia os contratos que tem com a Petrobrás em sua empresa de óleo e gás e uma dívida de US$ 3 bilhões. Mas, segundo fontes próximas às negociações, a óleo e gás parece ter saído ilesa das denuncias de corrupção e isso tende a facilitar a renegociação que já está em fase final. Nenhum dos executivos delatores é ligado à empresa. 

O faturamento da empresa até chegou a crescer no ano passado, atingindo R$ 132 bilhões, mas voltou a cair neste ano e em junho era de R$ 126 bilhões – quando considerado o período de 12 meses.

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