Com acesso restrito, Cinelândia será palco para discurso de Obama

Em praça célebre por atos políticos pela liberdade, ninguém entrará com bolsa, nem sem identidade, para ouvir o presidente dos Estados Unidos

Wilson Tosta, de O Estado de S. Paulo

14 de março de 2011 | 17h51

RIO - Em seu pronunciamento, neste domingo, 20, dirigido a "todos os brasileiros", o presidente dos EUA, Barack Obama, discursará para uma Cinelândia isolada por fortes medidas de segurança - diferentemente da tradição do local, principal palco de manifestações políticas históricas - e abertas - na cidade. A embaixada americana confirmou que o pronunciamento acontecerá na praça, à qual só terá acesso quem carregar nada além de documento de identidade e carteira de dinheiro - bolsas, sacolas e pacotes estão vetados.

 

A restrição é parte das medidas que serão tomadas para proteger o visitante, que deverão incluir mudanças no trânsito e forte policiamento. Nesta segunda-feira, 14, no fim da manhã, houve nova visita ao Municipal para checagem de segurança, mas nem o Consulado-Geral dos EUA no Rio, nem autoridades estaduais deram oficialmente detalhes a respeito.

"No próximo domingo, 20, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fará um discurso na Cinelândia, na cidade do Rio de Janeiro. O evento, que acontecerá no período da tarde, será gratuito, aberto ao público e é direcionado a todos os brasileiros. Haverá tradução. Mais informações serão divulgadas em breve", afirmou o Consulado, em curta nota.

O discurso de Obama deverá começar a partir das 15h, mas o acesso à Praça Floriano (nome oficial da Cinelândia) será permitido a partir das 11h30. Haverá tradução simultânea para o português. O presidente americano deverá falar a partir do teatro, mas sua exata posição ainda não foi divulgada. Antes, o presidente deverá visitar o Corcovado, a partir das 9h30, seguindo de lá para a Cidade de Deus, com horário inicial previsto para 10h30. Obama chegará ao Rio no fim da tarde ou início da noite de sábado, devendo dormir duas noites na cidade - sua partida para o Chile só acontecerá na segunda-feira, 21. Funcionários que trabalham para o corpo diplomático americano reconheceram que as incertezas sobre a agenda podem fazer parte das medidas do Serviço Secreto para ajudar na proteção ao presidente.

As medidas de segurança vão, evidentemente, se estender aos outros pontos programados para receber Obama - até esta tarde, não oficializados, mas praticamente certos. A ida ao Corcovado do casal presidencial americano é vista como programa "familiar" e, pelas características do local, terá acesso restrito, mesmo para equipes de imprensa. Uma possibilidade é que apenas um grupo de jornalistas credenciados como setoristas na Casa Branca e uns poucos representantes dos órgãos de imprensa brasileiros - em torno de dez - tenham acesso permitido. Em todos os eventos, segurança do presidente será feita pelos americanos, mas o Batalhão de Operações Especiais (Bope)e o Batalhão de Polícia de Choque (BPChoq), cuidarão do entorno.

Detalhes da programação de Obama foram ontem objeto de conversa do embaixador dos EUA, Thomas Shannon, com o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) e o prefeito Eduardo Paes (PMDB), no Palácio Guanabara. Após o encontro, o governo e a prefeitura divulgaram notas oficiais praticamente idênticas à da embaixada, confirmando o discurso de Obama para a Cinelândia. Os americanos chegaram a examinar outros locais - por exemplo, o Maracanãzinho. Um dos fatores que preocupam é o tempo. Uma chuva forte, na verdade bastante comum nesta época do ano no Rio de Janeiro, poderia esvaziar de público o discurso de Obama. O governo estadual também já manifestou informalmente o temor de que um domingo de sol (e com praia) "roube" assistência do mandatário dos EUA.

Um dos problemas enfrentados pela equipe que prepara a vinda de Obama envolve o helicóptero presidencial. A aeronave, por ser muito grande, não pode pousar no campo da Coordenadoria Adjunta de Operações Aéreas (CAOA, ex-CGOA), na Lagoa Rodrigo de Freitas, principal heliponto da zona sul. A alternativa será provavelmente usar o campo do Flamengo. Em sua visita à Cidade de Deus, o aparelho deverá utilizar o Aeroporto de Jacarepaguá ou o Autódromo, de onde Obama se deslocará, em carro blindado trazido dos Estados Unidos, para na favela. Apesar de ainda ter tráfico ativo, a Cidade de Deus atraiu a atenção da segurança presidencial por ser plana e ter ruas um pouco mais largas, características que facilitam as manobras de veículos, diferentemente de favelas na zona sul da cidade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.