Com a França, foi ''guerra da lagosta''

Crise até levou países a mobilização de forças militares

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

28 Janeiro 2009 | 00h00

A tensão vivida pelo Brasil nas suas relações com a Itália e, recentemente, com o Equador e a Bolívia, não se compara com a Guerra da Lagosta. Essa controvérsia com a França, entre 1961 e 1963, chegou a provocar a mobilização de forças militares dos dois países.A crise gerou ainda a polêmica frase "o Brasil não é um país sério" - atribuída ao então presidente francês, Charles de Gaulle, mas de autoria do então embaixador brasileiro, Carlos Alves de Sousa. Acabou resolvida no âmbito diplomático, a favor do Brasil.A polêmica surgiu quando a França tentou driblar regras que o governo brasileiro havia imposto para que pesquisadores desenvolvessem viveiros de lagosta no Nordeste. Mas, em vez de pesquisa, barcos franceses dedicaram-se à pesca, sem autorização. Em 1962, a corveta Ipiranga apreendeu o pesqueiro francês Cassiopée.Nas mesas de negociação, o Brasil defendeu a tese de que a lagosta era um recurso econômico de sua plataforma continental. A França sustentou-se na bizarra tese de que a lagosta (um crustáceo) seria um "peixe" e que apenas "saltava" sobre a plataforma continental. Dessa forma, poderia ser capturado em alto mar, sem restrições de nenhum país."Por analogia, se lagosta é um peixe porque se desloca dando saltos, então o canguru é uma ave", ironizou o almirante Paulo de Castro Moreira da Silva, especialista em oceanografia que assessorou a delegação brasileira.

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