Com 300 homens, operação foi deflagrada em julho

Era 8 de julho e o dia mal amanhecia quando 300 agentes da Polícia Federal foram às ruas em três Estados (São Paulo, Rio e Bahia), além do Distrito Federal, para deflagrar a Operação Satiagraha, que algemou o banqueiro Daniel Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta, este ainda de pijama, em casa.Foram 24 mandados de prisão e 56 de busca. A investigação havia sido iniciada três anos antes, para apurar desvio de recursos públicos, corrupção, fraude com ações, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Dantas foi acusado, ainda, de tentar subornar um delegado federal.O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, se queixou de "espetacularização" da Satiagraha e das algemas. Dois dias depois, ele próprio mandou soltar o grupo preso por ordem do juiz Fausto De Sanctis. Em agosto, a corte editaria súmula limitando o uso de algemas.Suspeitas de vazamento e divergências com a cúpula da PF levaram ao afastamento do delegado Protógenes Queiroz, chefe da operação. Para aumentar a polêmica, a PF apurou que arapongas da Agência Brasileira de Informação (Abin) atuaram na investigação e cometeram irregularidades, como uso de senhas secretas.No rastro da operação, o diretor da Abin, Paulo Lacerda, perdeu o cargo. Outro inquérito foi aberto para apurar vazamento de informações. Agora, Protógenes pode ser indiciado pela PF e a defesa de Dantas briga na Justiça para afastar De Sanctis do caso.

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