Com 100 taquígrafos, Senado terceiriza digitação de discursos

Empresa de estenografia tem contrato de até R$ 2,25 milhões por ano

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2009 | 00h00

Mesmo com quatro diretores no Setor de Taquigrafia e um contingente de 100 profissionais concursados, o Senado fechou um contrato no valor de R$ 2,25 milhões por ano para custear os trabalhos de estenotipia (digitação informatizada) das reuniões promovidas pelas 11 comissões permanentes, as duas comissões parlamentares de inquérito em funcionamento e as comissões especiais e externas da Casa.O contrato com a Steno do Brasil Importação, Exportação, Comércio e Assessoria Ltda. foi firmado em janeiro de 2006 e tem término previsto em 1º de janeiro de 2010. São até R$ 187.500,00 mensais gastos com funcionários terceirizados para registrar as declarações dos parlamentares, apesar de o Senado contar com 100 taquígrafos concursados em seus quadros."Nós prestamos serviço ao Senado. O áudio das sessões das comissões é gravado, eles mandam esse áudio para a gente pela internet e nós devolvemos a reunião degravada", explicou Alexandre Almeida, responsável pelo escritório da Steno do Brasil, em Brasília. Segundo ele, o Senado paga por hora trabalhada, limitadas a 300 horas por mês, o que daria R$ 187.500,00 mensais. "Mas nunca usaram todas 300 horas. O máximo que já usaram foi durante a CPI dos Correios quando foram pagas 190 horas. Ou seja, nunca recebemos esse valor por mês", afirmou Almeida. Ele disse que, em janeiro, quando não há sessões de comissões, a Steno não recebe "um centavo sequer". "Só recebemos quando trabalhamos."A Secretaria de Taquigrafia foi um dos alvos dos cortes de cargos de diretor feitos, na semana passada. Dos 181 diretores, 50 foram exonerados. Um deles foi Nina Lúcia de Lemos Torres, subsecretária de Registro e Apoio a Reuniões de Comissões (SSAREC). Ela era responsável pela supervisão do trabalho de taquigrafia feito nas comissões. Trabalho que, na prática, é terceirizado.Além da diretora Denise Ortega de Baere, que comanda a Secretaria de Taquigrafia, o setor tem ainda outra três diretorias, todas encarregadas de cuidar da transcrição dos discursos e de tudo o que acontece no plenário. São as subsecretarias de Revisão Taquigráfica (SSRTAQ), de Registro Taquigráfico (SSRTPL) e de Supervisão Taquigráfica (SSSUPE). "São departamentos distintos. Pleiteamos essas diretorias porque o trabalho aqui é muito grande, não termina", disse Denise, diretora da taquigrafia desde 1995. As quatro diretorias na taquigrafia foram criadas pelo ex-presidente Renan Calheiros (PMDB-AL).

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