Colombianos que vivem em Manaus protestam contra as Farc

Chávez pede que organização seja posta na legalidade e manifestantes de 131 cidades do mundo vão às ruas

Liege Albuquerque, de O Estado de S. Paulo,

04 de fevereiro de 2008 | 19h28

Cerca de 150 pessoas, segundo os organizadores, participaram nesta segunda-feira, 4, em Manaus de uma passeata contra a violência e seqüestros feitos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O protesto contra as Farc teve organização mundial e tomou as ruas de 131 cidades do mundo - em Manaus foi organizado pela Associação de Colombianos na Região Norte do País.  Passeata contra as Farc é realizada em 131 cidades do mundoVenezuela articula operação de resgate de reféns O líder do PSDB no Senado brasileiro, Arthur Virgílio, participou da manifestação contra as Farc na cidade do Porto, em Portugal. Virgílio e um grupo de cerca de 20 colombianos radicados em Portugal protestaram em frente ao consulado da Colômbia. Em Manaus, pelo menos 30 pessoas que participaram da passeata são colombianos ainda em situação clandestina no Brasil. "Agora neste período de carnaval no Brasil, fica mais fácil aos colombianos entrarem pelas fronteiras, fugidos do triste cenário político de nossa Colômbia", contou uma das organizadoras do ato, a médica colombiana radicada no Amazonas Claudia Guaqueta.  A mobilização é uma resposta à campanha encabeçada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para tirar as Farc da clandestinidade. Depois que o grupo libertou Clara Rojas e a ex-congressista Consuelo González, no final de 2007, em negociação intermediada pelo Governo Venezuelano, Chávez fez um apelo aos líderes mundiais e a Organização das Nações Unidas (ONU) para considerarem as Farc um grupo político e não terrorista. "Agora essa comédia de Chávez quer dizer que vão ser bonzinhos e libertar mais três. São 1,2 mil pessoas e todas têm de ser libertadas das mãos desses terroristas", defendeu Claudia. Críticas a Chávez No protesto, cartazes com "Fora Chávez!" se misturavam a outros criticando o uso de minas pelas Farc e dos seqüestros. "Como pode o presidente Chávez chamar de grupo político quem explode um grupo de pessoas que reza numa igreja? Como pode chamar de grupo político quem mutila pessoas que não querem seguir suas regras? São atos terroristas que devemos combater", questionou Claudia.  A família do ex-vereador da província de Araucá, mulher e dois filhos, chegaram na semana passada em Manaus, depois de duas semanas que o próprio vereador, que não quer ter seu nome identificado. "Viemos por Letícia e entramos em Tabatinga. Eu vim de avião, como se estivesse em viagem de trabalho, mas agora estou sumido do mapa. Mas achei mais seguro minha família vir por terra e depois por barco regional", disse. Ele e a família devem dar entrada em papéis no Conselho Nacional de Refugiados (Conare) em Brasília nas próximas semanas. "Vou pedir refúgio político porque viemos para cá porque eu não aguentava mais ter de orquestrar votações de projetos enviados pelas Farc. Quando comecei a protestar, ameaçaram-me de morte e, covardemente, disseram que iam começar por meus filhos, de 5 e 8 anos", contou.

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