Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Collor diz que tudo que Janot faz em relação à sua pessoa de nada adiantará

Ex-presidente voltou ao plenário para criticar o chefe do Ministério Público Federal um dia antes da sabatina que pode levar à recondução do procurador-geral da República

CARLA ARAÚJO E TALITA FERNANDES, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 17h33

Brasília - Um dia antes da sabatina do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que precisa da aprovação do Senado para ser reconduzido ao cargo por mais dois anos, o senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) voltou a usar o plenário do Senado para fazer críticas ao chefe do Ministério Público Federal (MPF).

"Temos, na Procuradoria-Geral da República, um mentiroso! O nome dele é Rodrigo Janot", disse Collor, ao fazer "um apelo" ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que "dê um ponto final" no que classificou de vazamentos seletivos que estariam sendo cometidos por Janot. O procurador-geral da República encaminhou ao STF denúncia contra Collor por suposto envolvimento em corrupção na Petrobrás, num esquema descoberto nas investigações da Operação Lava Jato.

"Faço um apelo para que o Supremo Tribunal Federal dê um fim, um ponto final (..) que determine ao Sr. Rodrigo Janot que não mais esteja incorrendo em crimes de vazamento de informações que estão sob segredo de Justiça, porque isso é uma garantia inalienável do cidadão inscrito, novamente repito, em cláusulas pétreas em nossa Constituição Federal", disse Collor, em discurso na tribuna do plenário.

Apesar de ter apresentado a denúncia do senador na semana passada, Janot pediu que o STF dê continuidade às investigações envolvendo o grupo de Collor. O parlamentar é acusado de ter recebido R$ 26 milhões em propina. Além dele, outras quatro pessoas ligadas a Collor foram denunciadas por suposta prática de crimes.

Em seu discurso, Collor alegou que as iniciativas de Janot são ações políticas que visam intimidar o Congresso Nacional às vésperas da sabatina a que ele estará sendo submetido na Comissão de Constituição e Justiça. "Tudo isso que o Sr. Rodrigo Janot vem fazendo em relação à minha pessoa de nada adiantará, porque ele não me calará. Eu estarei todos os dias, todos os minutos, todos os instantes, na sua cola, bem próximo dele, ouvindo e sabendo o que ele anda fazendo, as traquinagens que anda praticando, para poder, desta tribuna, denunciar alguém que é um engodo, alguém que vem se fantasiando de arauto da moral, dos bons costumes, dono da verdade, o que ele não o é", disse o senador. "É necessário que façamos muita atenção para este lobo vestido em pele de cordeiro, chamado Rodrigo Janot", completou.

Muito irritado, o senador acusou o procurador-geral de divulgar "mentiras", "sempre com ilações, sempre com conjecturas e, sobretudo, fazendo ou querendo fazer crer que aquilo que ele expele pela sua boca é fruto da mais pura e cristalina verdade, o que nós sabemos não o é", disse o ex-presidente. "Ele quer fazer do Senado Federal uma casa de eunucos, mas isso ele não conseguirá. Ele haverá de saber respeitar as instituições e, sobretudo, uma casa revisora da importância do Senado Federal", disse o senador.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.