Collor chora após discurso sobre impeachment

O senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB) disse, em seu primeiro discurso no Senado, que foi vítima de "farsa, abusos e preconceitos", ao se referir ao impeachment que sofreu em 1992. Nesta quinta-feira, 15, fez 17 anos que Collor tomou posse como presidente da República, tendo sido o primeiro eleito pelo voto popular depois de 29 anos, após o fim do regime militar. Em discurso em que pretendeu explicar as razões que o levaram a renunciar à Presidência da República em dezembro de 1992, Collor disse que do "sofrimento e injustiças" que sofreu podem-se tirar "úteis lições". RenúnciaA carta de renúncia de Collor foi lida pelo seu advogado durante a sessão do Senado que julgaria o pedido de perda do mandato feito pela CPI do PC Farias.Apesar da renúncia logo no começo da sessão, os senadores na época decidiram prosseguir o julgamento, que terminou suspendendo por oito anos os direitos políticos do então presidente. Em outubro de 2006, o ex-presidente foi eleito senador por Alagoas. Emocionado, Collor recordou fatos políticos do Brasil desde a abdicação de Dom Pedro I, passando pelo suicídio do ex-presidente Getúlio Vargas, até chegar ao seu impeachment - primeiro e único de um chefe de Estado no País. Collor lembrou que a CPI do PC deveria apurar as denúncias feitas pelo seu irmão, Pedro Collor de Mello, referentes às atividades de PC Farias. "Ouviram-se 23 testemunhas e foram autuados 130 documentos. Em nenhum dos depoimentos nem em qualquer dos documentos arrolados, há qualquer acusação contra mim, pessoalmente, nem contra qualquer ato que eu tivesse praticado como Presidente da República", disse. Em diversos pontos, o senador lembrou dos abusos que podem ser cometidos por CPIs e pelo uso de pedidos de impeachment - como, segundo ele, previa há mais de quarenta anos Paulo Brossard, constitucionalista, ex-senador e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal. Para Collor, "os abusos que podem ser praticados pelas CPIs podem ser evidenciados"quando o relator Amir Lando declarou que Pedro Collor contou que os ex-governadores Moacir Andrade e Carlos Mendonça teriam dito que PC Farias afirmara manter "uma sociedade informal" com Collor, "a quem transferia 70% dos lucros". "Esse detalhe - ainda são palavras do relator - é relevante", disse Collor. "Primeiro, por que se a sociedade existe - palavras do relator -, investigar as atividades de Paulo César implica investigar a do seu sócio, para cujo efeito esta CPI não dispõe de poderes", completou. "Se a comissão não dispunha de poderes paras investigar o presidente da República, como poderia imputar-me delitos que não cometi; crimes que não pratiquei?", perguntou Collor, lembrando que não foi investigado, notificado e nem indiciado. O ex-presidente acusou a CPI de não ter como objetivo investigá-lo, mas sim incriminá-lo "mesmo sem provas, indícios ou evidências". PerseguiçãoCollor continuou criticando o os abusos por "calúnias" e "mentiras". Ele lembrou que Itamar franco, seu sucessor, teve duas tentativas rejeitadas de pedido de impeachment; contra Fernando Henrique Cardoso foram 26 pedidos e contra o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, 28 - apenas uma de parlamentar e as demais de cidadãos. "Em nenhum desses casos as iniciativas prosperaram. A indagação cabível, em face desses precedentes, é necessariamente apenas uma: por que até hoje, mais de sessenta anos depois da Constituição de 46, apenas contra meu governo se deu curso a essa espúria representação?", indagou. "Trata-se de um patético documento aceito sem qualquer discussão, sem qualquer ponderação, sem qualquer cautela, sem qualquer isenção e com total ausência de equilíbrio e serenidade." O ex-presidente também disse que determinou a "imediata apuração" pela Polícia Federal de todas as acusações feitas por seu irmão. Após o término de sua fala, enquanto o senador Romeu Tuma discursava sobre o ocorrido em 1992 - à época, ele era diretor-geral da Polícia federal -, Collor chorou.Este texto foi ampliado às 18h51

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