Collor articula candidatura ao Senado

Não será fácil a tarefa de recuperar a imagem do Senado. Nem agora, nem em 2003, quando dois terços da Casa serão renovados.Entre os 54 novos senadores, por exemplo, é provável que esteja o ex-presidente Fernando Collor. Polêmico, cassado por corrupção, ele não teve até hoje as contas de seu governo (1990-92) aprovadas pelo Congresso.Collor recuperou este ano seus direitos políticos, depois de oito afastado compulsoriamente da política por decisão do Senado, que aprovou seu impeachment em 29 de dezembro de 1992. A mesma instituição para a qual ele quer agora ser eleito. Em pesquisas que circulam em Alagoas ele é apontado como favorito.Collor teria, hoje, 55% dos votos, de acordo com números em poder do senador Renan Calheiros (PMDB), que ainda não decidiu se disputará o governo ou a reeleição.Para tomar a decisão sobre seu destino político, Renan vai antes conversar com o ex-presidente. Mesmo que seja apenas para garantir a neutralidade da Organização Arnon de Mello, dona das principais emissoras de rádio e televisão, do maior jornal do Estado e de um instituto de pesquisas muito requisitado.Uma das razões da força de Collor em Alagoas está na consolidação da imagem que ele não conseguiu transmitir para o resto do País: a de injustiçado pelo Congresso e pela elite econômica, que não suportou ver no Executivo um político jovem, nordestino e que abriu a economia.No Estado, ele é visto como vítima, e seus defensores não cansam de dizer que ele foi inocentado, por falta de provas, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "A mentira repetida acaba pegando", afirma o governador Ronaldo Lessa, do PSB.No meio político alagoano são poucos os que descartam a possibilidade de uma aliança com o ex-presidente. "Collor é candidato forte e terá papel importante na eleição", diz o senador Teotônio Vilela Filho, do PSDB. "É remota a possibilidade de aliar-me a ele, mas não quero estar fechando portas."Entre as exceções estão Lessa e a senadora Heloísa Helena, do PT, o primeiro candidato à reeleição e a segunda já em plena campanha para ser governadora. Já o vice-governador Geraldo Sampaio, do PDT, que também quer disputar o governo, admite procurar Collor. "Dou-me bem com ele."Lessa afirma que Alagoas não pode retroceder politicamente e que "Collor é o próprio retrocesso". Ele propõe uma aliança com Heloísa, desde que ela não dispute o governo. A senadora, no entanto, não confia no que diz o governador. "Vamos trabalhar para que Collor não seja eleito. Como conheço meu Estado, sei que seremos nós, do PT, sozinhos", diz ela.Collor é filiado ao nanico PRTB. Em Alagoas, o partido chegou a ter seis deputados estaduais. Mas, de abril para cá, uma parte dos seus parlamentares mudou-se para o PTB, entre eles o presidente da Assembléia, Antonio Albuquerque, que poderá ser candidato a governador com o apoio de Collor."Se Collor for candidato ao Senado, já conta com o meu voto", disse. A ida dos parceiros políticos para o PTB pode ter aberto caminho para Collor também mudar. Há mais de dois meses fala-se nisso no PTB nacional.Para o PT, a fuga dos deputados do PRTB para o PTB foi uma manobra que visou garantir uma legenda mais forte, com mais estrutura e tempo de televisão e rádio para os parlamentares e para Collor. O presidente do PT em Alagoas, deputado estadual Paulo Fernando dos Santos, afirma que foi Collor que "criou" o PTB. "É um partido-satélite do ex-presidente", diz. "Para onde for o PRTB, irá o PTB." Atualmente, o PTB tem a maior bancada na Assembléia Legislativa: 12 de 27, com possibilidade de entrada de mais dois parlamentares, o que daria ao partido a maioria absoluta dos votos.O filho mais velho do ex-presidente, Arnon Affonso de Mello Neto, de 25 anos, que é candidato a deputado federal no ano que vem, disse que a volta do pai à Presidência da República é o principal objetivo da família. "Se não for em 2006, será em 2010, em 2014 ou em 2018, porque ele é novo e não tem pressa", diz Arnon.Procurado pela reportagem, Collor não quis comentar o retorno à política.

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