Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Collor acusa Janot de vazar parecer contra ele para a imprensa

Em discurso no plenário, senador e ex-presidente investigado na Lava Jato disse que não quer ser 'personagem involuntário' da campanha eleitoral que se desenvolve no Ministério Público Federal

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2015 | 16h27

Atualizada em 06 de agosto 2015, às 10h21

BRASÍLIA - Alvo de uma ação de busca e apreensão feita na Operação Lava Jato no mês passado, o ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL) acusou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de ter vazado um parecer para a imprensa antes de ele ser remetido ao relator do seu inquérito, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki. Em discurso no plenário, Collor disse que não quer ser "personagem involuntário" da campanha eleitoral que se desenvolve no Ministério Público Federal (MPF).

Nesta quarta, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) realiza a escolha da lista tríplice de candidatos a comandar a Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos próximos dois anos. Janot é o favorito de encabeçar a lista numa disputa com outros três subprocuradores: Carlos Frederico Santos, Mario Luiz Bonsaglia e Raquel Elias Ferreira Dodge.

Collor afirmou no pronunciamento realizado nesta tarde que o parecer de Janot contrário à liberação dos carros de luxo do senador que foram apreendidos pela Lava Jato chegou à imprensa na terça pela manhã, antes de ser encaminhada ao STF. Para atestar a afirmação, o petebista argumentou que naquele momento seu advogado estava reunido com Teori Zavascki e que o ministro ainda não tinha recebido a manifestação da PGR. O senador destacou que o caso corre sigilosamente na Corte. "Informações que correm sob segredo de Justiça foram vazadas de forma seletiva e criminosa pelo procurador-geral. Vejam a gravidade deste ato", criticou.

O ex-presidente rebateu a alegação de que os carros teriam sido adquiridos a partir de operações de lavagem de dinheiro. Segundo ele, os automóveis foram adquiridos de forma lícita, por meio de empresas legalmente constituídas. Disse que se houver alguma parcela em atraso na aquisição, o fato dizia respeito exclusivamente a ele e à empresa de quem comprou os carros.

Para o senador, há uma sórdida estratégia midiática promovida por Janot. "Utilizam-se do meu nome, da minha imagem, dos meus bens para se autopromover, para fazer aquele espetáculo", disse. "Que humilhação vem me impondo essa alcateia que se apoderou do Ministério Público Federal", completou.

Collor cobrou que o Senado assuma sua "responsabilidade institucional" quando for analisar a indicação para o cargo que será feita pela presidente Dilma Rousseff. A tendência é que ela encaminhe à Casa o primeiro da lista.

Licitação. No discurso, o ex-presidente leu uma carta, à qual disse obtido tido acesso por meio servidores da área de Comunicação Social da PGR. Datada de 6 de março deste ano, a carta, disse Collor, contém críticas a um contrato que licitação feito na atual gestão Janot com uma empresa de comunicação. Ele lembrou que, a seu pedido, o Senado aprovou no dia 14 a realização de uma auditoria pelo Tribunal de Contas da União sobre esse e outro contrato na Casa.

Essa decisão, revelada pelo Broadcast Político, ocorreu horas após a busca e apreensão de seus bens pela Lava Jato. A assessoria de Collor encaminhou o documento à reportagem.

Xingamento. Durante o pronunciamento, Collor ainda xingou Janot de "filho da puta". Captado pela TV Senado, o comentário, feito em tom de sussurro, ocorreu no momento em que ele dizia ter comprado de forma regular os carros de luxo apreendidos na Lava Jato.

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