Coligação de Taniguchi pode ter omitido gastos

O Ministério Público (MP) do Paraná apresentou, nesta quarta-feira, notas fiscais que comprovariam que, pelo menos R$ 53.700,00 não foram declarados pela Coligação PFL-Movimento Curitiba Sempre com Você ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).A coligação é acusada de ter gasto cerca de R$ 29,8 milhões a mais do que o oficialmente registrado no TRE nas eleições municipais de 2000, que reelegeram o prefeito Cássio Taniguchi (PFL).Os registros fiscais foram fornecidos pelo empresário e ex-governador do Paraná Paulo Pimentel, que deixou o PFL e se filiou ao PMDB, recentemente.As comprovações entregues por Pimentel, durante depoimento ao MP, mostram que foram pagos, por serviços prestados pela gráfica do grupo O Estado do Paraná, pouco mais de R$ 74.700,00, enquanto, ao TRE, o partido declarou que pagou R$ 21 mil pelos mesmos serviços."Neste caso, as investigações estão fechadas porque o proprietário trouxe os documentos", disse o promotor José Geraldo Gonçalves. "Só aqui há uma fraude gritante de mais de R$ 50 mil."Outras duas testemunhas foram ouvidas, nesta quarta, pelos promotores, mas os nomes são mantidos em sigilo. Gonçalves afirmou que foram entregues à Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público outros documentos originais que "corroboram" os valores de um livro-caixa paralelo à prestação oficial de contas, cuja cópia está com os promotores. Segundo ele, esses papéis tinham sido requisitados pela Promotoria."Quem tem se negado a os entregar pode ter sonegado imposto", opinou. O coordenador criminal da defesa da legenda, advogado Antônio Augusto Figueiredo Basto, disse que apresentará uma representação criminal e administrativa contra os promotores à Corregedoria do MP."Meu advogado (Omar Elias Geha) ficou a tarde inteira lá e não teve acesso aos documentos", reclamou. "Os promotores não têm coragem de mostrar para a defesa, mas entregam para a imprensa", acrescentou."A quem interessa manter o segredo para os advogados de defesa?" Segundo ele, a intenção é criar um "clima", mostrando os papéis na televisão. "Há um engodo, há interesse político", acusou. "Não dou credibilidade para essa investigação espalhafatosa."Ele disse que, nesta quinta, interporá um mandado de segurança para ter acesso a todos os documentos e depoimentos. "Vamos mudar o tom do discurso", afirmou. "Ninguém é moleque de promotor de Justiça."A Polícia Federal (PF) deve instaurar, nesta quinta-feira, um inquérito para apurar possível crime eleitoral cometido pela coligação. "Serão apuradas tão somente as questões de crime eleitoral", afirmouo delegado regional, Ademir Gonçalves.O delegado responsável pelas investigações deve ser indicado amanhã. O pedido para que a PF entrasse no caso foi feito pelo juiz da 1.ª Zona Eleitoral de Curitiba, Espedito Reis do Amaral, atendendo a uma solicitação dos candidatos e agremiações derrotadas.Amaral havia aprovado as contas apresentadas pela coligação, com base nos papéis oficiais remetidos ao TRE. Depois que foram divulgadas cópias dos documentos, que comprovariam que a coligação gastou R$ 29,8 milhões a mais do que o declarado oficialmente, o juiz determinou a investigação. "Vamos averiguar se existe procedência nas denúncias", disse o delegado. "Vamos procurar os documentos originais e fazer uma análise contábil."

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