Coligação de Marina quer formar bloco para criar 3ª maior bancada

PSB, PPS, PPL, PRP, PHS e PLS calculam que terão em 2015 pelo menos 55 parlamentares na Casa

DAIENE CARDOSO, Estadão Conteúdo

09 de outubro de 2014 | 18h22

Atualizada às 21h03

Os partidos que integraram a coligação da candidata a presidente derrotada Marina Silva (PSB) articulam a formação de um bloco parlamentar a partir da próxima legislatura na Câmara dos Deputados. PSB, PPS, PPL, PRP, PHS e PSL calculam que terão no ano que vem pelo menos 55 parlamentares na Casa, incluindo os deputados que estão em outras siglas e se filiarão à Rede Sustentabilidade assim que o registro do partido for deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Com isso, o grupo, que deve ser oposição a um segundo governo da petista Dilma Rousseff e tende a se aliar ao tucano Aécio Neves caso o PSDB saia vitorioso no 2.º turno, quer ser a terceira força política da Casa, atrás de PT, que elegeu 70 deputados, e do PMDB, com 66. Desbancaria, assim, o PSDB, que elegeu 54, e se cacifaria para reivindicar a presidência da Câmara. “É possível. Podemos articular uma candidatura à Presidência com o PSDB”, admitiu o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), que não conseguiu reeleger no último domingo.

Nesse sentido, a ideia é continuar ampliando o grupo. No encontro de ontem na sede nacional do PSB, em Brasília, os representantes dos seis partidos da coligação decidiram convidar o PV – que elegeu oito deputados – para integrar o “blocão”. O PV já teve atuação conjunta com o PPS na legislatura passada.

Outro partido que pode fazer parte do grupo é o PT do B, que terá direito a três cadeiras em 2015. Também está no radar o PSC – que já declarou apoio a Aécio no 2.º turno – e que terá 12 parlamentares na próxima legislatura. “A bancada pode ampliar ou diminuir, vai depender do resultado das eleições”, ponderou o deputado Júlio Delgado, presidente do PSB mineiro. Delgado afirmou que não está descartada a possibilidade de outras legendas participarem do “blocão”. Se PV e PT do B aderirem, o bloco se igualará numericamente à bancada peemedebista. Com o PSC, o “blocão” ultrapassará o PT e se tornará a maior bancada do Parlamento, com 78 membros.

Entre os seis partidos da coligação de Marina, o PSB conseguiu eleger o maior número de parlamentares (34), seguido de PPS (10), PHS (5), PRP (3) e PSL (1). Dois deputados federais eleitos devem migrar para a Rede: Eliziane Gama (hoje no PPS-MA) e Miro Teixeira (Pros-RJ).

Dependendo da composição do governo no Amapá, o PPL poderá garantir uma cadeira para seu suplente. “O espírito dos partidos é de manter a unidade, manter as forças aglutinadas”, definiu Miguel Manso, secretário nacional de organização do PPL. Ontem, o porta-voz da Rede, Walter Feldman, disse que os parlamentares da futura sigla terão uma posição independente no Congresso, seja Dilma ou Aécio na Presidência da República. Com exceção do PPL, os cinco partidos da coligação de Marina anunciaram apoio ao tucano no 2.º turno, ou seja, tenderiam a integrar a base de apoio do Palácio do Planalto. “Se o Aécio ganhar, a tendência é ser governo. Se for Dilma, seremos oposição”, avisou Delgado. Após a reaproximação de PSB e PPS para a formação da coligação que tinha o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos na cabeça de chapa da sucessão presidencial, os dirigentes dos partidos passaram a discutir a possibilidade de formação de um bloco parlamentar antes mesmo do resultado do 1.º turno. Atuando em bloco, os partidos terão um peso substancialmente maior na composição do Parlamento, podendo assim escolher as comissões temáticas mais importantes e opinando sobre os cargos da Mesa Diretora. “Passaríamos a ter uma presença orgânica muito maior na Casa”, resumiu o presidente do PPS. 

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