Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Coletiva com ministros marca 500 dias de governo Bolsonaro: 'Não é momento para comemorar'

Saída de Teich foi tratada como algo 'natural'; 'Anormal seria o presidente sair porque o ministro quer fazer alguma coisa, disse Guedes

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2020 | 19h01

No dia em que o governo de Jair Bolsonaro perdeu seu segundo ministro da Saúde em meio à pandemia do coronavírus, com a demissão de Nelson Teich, uma coletiva com quatro ministros marcou os 500 dias da gestão. O presidente Jair Bolsonaro não participou e a saída do chefe da Saúde foi tratada como algo natural, justificada por "questões de foro íntimo" por Walter Braga Netto, da Casa Civil.

"O ministro Teich saiu por questões de foro íntimo. Teve conversa amigável com presidente, com ministros. O presidente não ignora a ciência, segue protocolos. Ele tem uma visão diferente sobre protocolo a ser seguido", disse Braga Netto. 

Ministro da Economia, Paulo Guedes disse que anormal seria o presidente sair por discordâncias com ministro, não o contrário. "O ideal para nós é que houvesse uma completa harmonia, mas isso não é a vida real. Há disputas políticas, pandemia, todo tipo de coisa. Quem tem voto é o presidente. As vezes há diferenças de opinião muito fortes. Se o presidente tem uma orientação e o ministro tem outra, quem sai é o ministro. Anormal seria o presidente sair porque o ministro quer fazer alguma coisa."

Além dos dois, Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) também falaram que a pandemia não permite comemorações, defenderam Bolsonaro e fizeram alertas de que o impacto econômico da pandemia pode piorar a situação do País. 

O protocolo do uso da cloroquina no tratamento da covid-19, motivo apontado como decisivo para a saída de Teich, foi citado por Braga Netto. "A cloroquina já tem protocolo para casos graves e está sendo estudado pelo Ministério da Saúde o uso nas primeiras manifestações de doença. Aguardamos este protocolo do Ministério da Saúde". Apesar do que disse o ministro, o Estadão noticiou que o chefe interino do Ministério da Saúde, o general Eduardo Pazuello, deve assinar o novo protocolo da pasta que libera o uso da cloroquina até mesmo em pacientes com sintomas leves por determinação do presidente.

Damares disse que Teich deixou o novo protocolo da cloroquina pronto no Ministério da Saúde. "Ele deixou pronto o protocolo. É sinal que ele não era contra".

Sem comemoração

"Por decisão do presidente, não é momento para comemorar. É hora de refletir, prestar condolências às famílias enlutadas", disse Ramos. Damares afirmou que, antes da pandemia, a equipe sonhava com uma grande celebração dos 500 dias de governo. "Seria uma grande festa no Planalto. Sonhamos com a celebração. Hoje estamos aqui em quatro ministros porque fomos surpreendidos pela pandemia. Podemos estar tristes, mas estamos aqui para dizer que estamos fazendo muito. Nosso povo está sendo cuidado. Não temos muito o que celebrar, mas teremos os mil dias e a celebração será maior."

Guedes pediu uma trégua às críticas ao governo e a Bolsonaro. "Pelo bem do País seria importante que o esforço de transformação que Bolsonaro representa seja respeitado. Faltam dois anos e poucos meses até a próxima eleição. A democracia é vibrante, surpreendeu o mundo."

Ele disse que, se do ponto de vista da saúde o isolamento social é necessário, na economia é preciso estar "de mãos dadas". "O isolamento social protege vidas, mas o isolamento econômico ameaça vidas. No ponto de vista da saúde tem que estar afastados, no ponto de vista econômico, precisamos estar abraçados", afirmou.

Sem citar nomes, o ministro da Economia ainda disse que, em sua avaliação, a população vai punir quem tenta se fortalecer politicamente com as mortes do coronavírus. "A população vai punir quem usar cadáveres como palanques". Ele também criticou a possibilidade de aumento salarial do funcionalismo público em meio à pandemia. "Enquanto o Brasil está de joelhos, tentando se defender, não assaltem o Brasil. Estou pedindo uma contribuição."

Na quinta, depois de o Congresso aprovar projeto do governo que autoriza reajustes às polícias do Distrito Federal, o presidente disse que “não tem cabimento” o funcionalismo querer aumento salarial no momento em que o “Brasil está quebrando” e há risco até mesmo de faltar dinheiro para os pagamentos em decorrência da crise econômica causada pela pandemia.  Ele disse que pretende discutir com governadores e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), o veto ao trecho do projeto que congela o reajuste de servidores públicos até 2021.

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