Colaboradores guardaram boas lembranças

Ele abria sua sala na redação, após fechar o jornal, para receber professores franceses da USP

11 de julho de 2009 | 17h06

O professor Paul-Arbousse Bastide, fundador da cadeira de política da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da USP, na década de 30, guardava boas lembranças de Julio de Mesquita Filho, que o convidou para vir ao Brasil. Em artigo publicado em 1984, ele o chama de "fundador" e "pai intelectual da USP".

 

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Ele diz também que todos os dias, após o fechamento da edição diária, o diretor do jornal abria sua sala de trabalho para receber os franceses. "A sede social do jornal O Estado de S. Paulo era então situada na Rua Boa Vista, num modesto imóvel ainda preservado, como então a quase totalidade, em São Paulo, contra aquilo que chamaram mais tarde ‘a explosão vertical, tipicamente vertical’", escreve. "Todos os dias, até bem tarde da noite, entre onze horas e meia-noite, Julio de Mesquita Filho aí se encontrava à disposição do grupo dos novos ‘missionários’ e desejava ser informado pessoalmente dos progressos da instalação da escola e de tudo o que pudesse facilitá-la."

 

No mesmo artigo o professor francês lembra que a sala do diretor do Estado também abrigou várias vezes conferências abertas ao público, destinadas sobretudo a facilitar o contato dos franceses recém-chegados com os auditórios extrauniversitários. "Conferências públicas também foram organizadas na Sociedade de Geografia, na Rua Benjamin Constant", diz ele. "Julio de Mesquita Filho seguia assiduamente, com seus amigos, todas as conferências, amplamente noticiadas pela imprensa de São Paulo e, especial, pelo Estado."

 

O jornalista francês Gilles Lapouge, hoje vivendo em Paris, trabalhou durante 20 anos com Julio de Mesquita Filho. Diz se lembrar daqueles anos como "uma autêntica felicidade, e também como uma bela aprendizagem".

 

Lapouge chegou ao Rio em 1951, contratado como redator, por recomendação do historiador Fernand Braudel. Mesquita Filho foi recebê-lo de carro,no Rio. Na viagem de volta para São Paulo, o diretor o surpreendeu ao falar fluentemente sobre literatura: "Mal podia crer nos meus ouvidos. Albert Camus, Jean-Paul Sartre, George Bernanos, Henry Montherlant: ele estava familiarizado com tudo o que havia de importante."

 

Na opinião de Lapouge, expressa em artigo de 1982, essa paixão pela cultura esteve sempre associada à paixão política e às suas posições sobre o papel do jornal. Lapouge ainda anota que, embora suas opiniões nem sempre coincidissem com as do chefe, teve liberdade para expressá-las. "E ele tinha um respeito absoluto pela honestidade intelectual."

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