COI evita cobranças e elogia 'progresso' nos preparativos olímpicos no Rio

Presidente da comissão visita obras e diz que jogos vão deixar importantes legados para a cidade.

Júlia Dias Carneiro, BBC

09 de junho de 2011 | 19h27

Encerrando sua visita de três dias ao Rio para monitorar os preparativos para a Olimpíada, a Comissão de Coordenação do Comitê Olímpico Internacional (COI) disse estar satisfeita com o ritmo com que as obras na cidade vêm avançando.

Nawal El Moutawakel, a presidente da comissão de coordenação, evitou fazer cobranças e elogiou o "forte planejamento", as iniciativas de marketing e a integração entre as esferas envolvidas nos Jogos de 2016. "Fico feliz de relatar que o (Comitê Organizador) Rio 2016 continua tendo um bom progresso na corrida olímpica", disse a medalhista marroquina, em sua terceira visita à cidade para acompanhar as ações. Em entrevista coletiva no dia seguinte a uma maratona de visitas a obras de infraestrutura na cidade, o COI manteve um tom elogioso, mas disse que vai enviar um relatório para o Rio na semana que vem estabelecendo prazos para diferentes temas. Um deles, de acordo com o diretor-executivo de Jogos Olímpicos do COI, Roger Felli, é o detalhamento da matriz de responsabilidade, que estabelece quais ações cabem a cada órgão e instância governamental. "Nós já temos o quadro geral, mas precisamos de mais detalhes", disse Felli. Nawal atenuou as cobranças feitas no mês passado para que fosse regularizada a situação de Henrique Meirelles, que foi designado em março para assumir a Autoridade Pública Olímpica (APO) mas ainda precisa ter o nome aprovado no Senado. Desta vez, ela se disse tranquilizada quanto ao assunto. "Ouvimos cuidadosamente todas as explicações dadas pelo Meirelles nestes dias. Estamos muito satisfeitos que ele está a bordo conosco e as coisas vão correr numa direção positiva. Não há nenhuma grande questão quanto a isso." Transparência Nawal considerou que os jogos vão deixar "importantes legados" para a cidade. Perguntada sobre problemas apresentados em parte das instalações construídas para os Jogos Panamericanos, de 2007, como a Vila dos Atletas, ela disse que é preciso separar o COI de outras organizações e ressaltou que a comissão faz visitas a cada três meses para acompanhar de perto o andamento das obras. A marroquina também foi questionada sobre as críticas feitas à forma como reassentamentos vêm sendo conduzidos para abrir espaço para obras de infraestrutura relacionadas aos jogos.

"É algo que estamos acompanhando de perto com o (comitê) Rio 2016 e o prefeito (Eduardo Paes). Ele nos assegurou que tudo vai ser tratado de maneira muito cuidadosa", disse, elogiando ainda o programa Minha Casa, Minha Vida. "Não acho que a ideia de organizar os jogos aqui seja para prejudicar ninguém. Tudo será feito com um toque humano."

Em abril, o secretário-geral da Anistia Internacional, Salil Shetty, e a relatora especial da ONU para o Direito à Moradia Adequada, Raquel Rolnik, apontaram violações do direito à moradia no processo de remoção de moradores para as obras de infraestrutura associadas aos grandes eventos de 2014 e 2016. Hotéis Durante a visita da comissão, foi decidido o local para a construção de um campo de golf, a última das 28 modalidades esportivas que restavam. "Agora todos os 28 esportes têm um local. É a primeira vez que isso acontece cinco anos antes dos jogos", disse Felli. "Eu diria que a posição do Rio hoje é muito boa." Em comparação às cidades que sediaram as últimas Olimpíadas, como Sydney e Pequim, "o Rio é provavelmente a cidade que mais vai se beneficiar", considera Felli. Em relação à infraestrutura para receber os milhares de turistas e atletas esperados, o diretor-geral dos Jogos de 2016, Leonardo Gryner, disse que até os jogos o Rio deve contar com mais 10 mil quartos de hotel e que um novo píer será construído no porto com capacidade para receber seis navios ao mesmo tempo. Já o Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, de acordo com ele, não precisará de ampliações além daquelas que já estavam em andamento quando a cidade apresentou seu pleito para sediar os jogos. "Já na época da candidatura, obras estavam em andamento no Galeão para dobrar a sua capacidade, o que atende as demandas do COI", diz. A Comissão de Coordenação do COI é formada para auxiliar e monitorar os preparativos para os jogos. Composto por 26 pessoas, o grupo chegou ao Rio na terça-feira e dividiu o tempo entre reuniões com o comitê organizador local e autoridades envolvidas e, na quarta-feira, uma série de visitas a obras.

Entre as obras vistoriadas estão as do Maracanã (que vai sediar as cerimônias de abertura e encerramento), do Sambódromo (local de chegada da maratona e das provas de tiro) e um dos mergulhões por onde passará o Bus Rapid Transit (BRT), um corredor expresso que vai ligar a Barra da Tijuca, na Zona Oeste, e o Aeroporto Internacional Tom Jobim.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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