Cobrado por direção petista, Tilden Santiago tende a ficar com Aécio

A direção estadual do PT em Minas Gerais disse ao ex-embaixador em Cuba, Tilden Santiago, que ele terá de abandonar o cargo de assessor da Cemig, para o qual foi convidado pelo governador Aécio Neves (PSDB), ou então pedir licença do PT. Se não optar por uma das alternativas, a direção estadual petista o licenciará compulsoriamente do partido. Tilden pediu tempo para pensar, mas ontem disse ao Estado que está muito propenso a continuar na Cemig e não pedir licença do PT.Ex-padre, ex-operário soldador, ex-professor universitário, ex-deputado federal pelo PT, Tilden é uma das principais figuras do PT mineiro. Ontem, ele estava viajando no interior de Sergipe, a serviço da Cemig, como participante de uma reunião do Comitê da Bacia do São Francisco e se disse apaixonado pelo que está fazendo. ''''Cabe à direção interpretar e tomar as decisões dela'''', afirmou.Ele está visivelmente abalado pela pressão implacável que o PT lhe tem feito - conduzida, principalmente pelo presidente estadual, Nilmário Miranda - desde que aceitou o cargo no governo tucano, principalmente em razão da longa história que tem como militante petista. O impasse foi captado por outros partidos, que já procuraram Tilden para atraí-lo a suas fileiras.Ele explicou que, desde que voltou de Cuba, ficou vários meses esperando ser convidado pelo governo federal para um cargo na área de meio ambiente, que tem estudado com interesse. ''''Depois de quase três meses, percebi que havia problemas, que hoje o quadro é outro, que há uma coligação muito ampla, que a governabilidade demanda uma maior atenção com os partidos aliados'''', explicou.COM OS OUTROSMesmo sendo um petista histórico e amigo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Tilden se dispôs a conversar com Michel Temer e com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. ''''Geddel chegou a me dar esperanças de que isso (uma nomeação) poderia acontecer, mas não aconteceu'''', salientou.Sem emprego, Tilden acabou convidado por Aécio para ser assessor de meio ambiente da Cemig e aceitou o cargo. Foi o suficiente para que o PT mineiro se agitasse e começasse a desenvolver forte pressão para ele se demitir. Há duas semanas, o congresso estadual do partido transformou a nomeação em um dos principais temas de discussão. Mas Tilden não recuou, acenando sempre com sua militância histórica.Na segunda-feira, a direção estadual o convocou para uma reunião em que impôs uma alternativa - ou demitir-se ou licenciar-se do partido. Tilden ainda se perguntou por que Lula pode recrutar ex-colaboradores do governo Fernando Henrique e ele não pode aceitar um convite de Aécio. Ele garante que, ao convidá-lo, o tucano não lhe fez qualquer exigência de fechar partidariamente com o governo e com o PSDB.

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