Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Maia ataca Moro e desqualifica pacote anticrime

Presidente da Câmara reage à cobrança do ministro da Justiça, que tenta colocar em tramitação projeto em meio à Previdência

Renato Onofre, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2019 | 20h35
Atualizado 21 de março de 2019 | 09h47

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reagiu nesta quarta-feira, 20, a declarações do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que cobrou o início da tramitação do pacote anticrime simultaneamente à discussão da reforma da Previdência. Maia afirmou que o ministro é “funcionário” do presidente Jair Bolsonaro e que se o governo quiser mudar a tramitação das propostas é só o presidente pedir.

“Funcionário do presidente Bolsonaro? Conversa com o presidente Bolsonaro e se o presidente Bolsonaro quiser, conversa comigo. Eu fiz aquilo que acho correto”, afirmou Maia. 

Mais cedo, Moro havia participado do lançamento da Frente Parlamentar de Segurança, a chamada bancada da bala, e disse que procuraria Maia para pedir celeridade à sua proposta. “Vou conversar respeitosamente com o presidente da Casa”, disse o ministro pela manhã.

Isso porque o presidente da Câmara decidiu criar um grupo de deputados que, por 90 dias, vai analisar o projeto de Moro antes de começar a discussão em uma comissão da Casa, o primeiro passo da tramitação. A medida, na prática, “trava” a discussão das propostas.

Maia afirmou que o ministro conhece “pouco a política”. “Não estou irritado, mas acho que ele conhece pouco a política. Eu sou presidente da Câmara, ele é ministro, funcionário do presidente Bolsonaro. Então, o presidente Bolsonaro é quem tem que dialogar comigo. Ele está confundido as bolas. Ele não é presidente da República. Não foi eleito para isso. Está ficando uma situação ruim para ele”, afirmou o parlamentar.

As afirmações do presidente da Câmara representam um novo revés para Moro como ministro. O ex-juiz da Lava Jato disse em mais de uma ocasião que deixou a magistratura pela possibilidade de tornar a legislação mais rigorosa e implantar medidas que ajudassem o País a combater a corrupção. Ele tem esbarrado, porém, na rejeição de parte dos parlamentares, que o acusam de ter criminalizado a atividade política.

Maia acusa Moro de copiar projeto de Alexandre de Morais

Maia ainda acusou Moro de “copiar” uma outra proposta discutida no ano passado por uma comissão de juristas, presidida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. “O projeto é importante. Aliás, ele (Moro) está copiando projeto do ministro Alexandre de Morais, copia e cola. Então tem poucas novidades no projeto dele”, disse. “Vamos apensar um ou outro projeto, mas o prioritário é o do ministro Alexandre de Moraes. No momento adequado, depois de votar a Previdência, vamos votar o projeto dele. O que precisamos é que o ministério da Justiça diga, com a estrutura que tem, como enfrentar o combate ao crime organizado”. 

A reação de Maia também ocorre após virar alvo de apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais por críticas à proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo. Ele também causou indignação entre militares por ter afirmado, na terça-feira, 19, que a categoria chegou no “fim da festa” ao propor a reestruturação das carreiras como contrapartida a mudanças nas regras de aposentadoria. 

Em nota enviada pela assessoria do ministério da Justiça, Moro afirmou que apresentou em nome do governo Bolsonaro, “um projeto de lei inovador e amplo contra crime organizado, contra crimes violentos e corrupção, flagelos contra o povo brasileiro”. “A única expectativa que tenho, atendendo aos anseios da sociedade contra o crime, é que o projeto tramite regularmente e seja debatido e aprimorado pelo Congresso Nacional com a urgência que o caso requer”, disse.

“Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais”, afirmou o ministro. “Essas questões sempre foram tratadas com respeito e cordialidade com o Presidente da Câmara, e espero que o mesmo possa ocorrer com o projeto e com quem o propôs. Não por questões pessoais, mas por respeito ao cargo e ao amplo desejo do povo brasileiro de viver em um país menos corrupto e mais seguro”, completou.

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