Coalizão em São Paulo define apoio a Mercadante

Definição coloca um ponto final nas tratativas em torno do nome do deputado federal Ciro Gomes

Gustavo Uribe, Anne Warth e Gustavo Porto, Agência Estado

23 de março de 2010 | 17h43

Cinco partidos de oposição ao governador José Serra (PSDB) definiram nesta terça-feira, 23, o apoio à candidatura do senador Aloizio Mercadante (PT) ao governo do Estado de São Paulo. Em almoço promovido na casa do parlamentar petista, na capital paulista, lideranças da coalizão - formada até agora por PT, PDT, PCdoB, PR, PRB e PPL - colocaram um ponto final nas tratativas em torno do nome do deputado federal Ciro Gomes (PSB) à disputa e definiram para a primeira quinzena de abril o lançamento oficial da candidatura de Mercadante.

 

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O evento de lançamento será realizado em São Paulo e deve contar com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da pré-candidata do PT à sucessão ao Palácio do Planalto, a ministra Dilma Rousseff. No encontro de hoje, o PDT vetou o nome do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, filiado ao PSB, como possível candidato a vice-governador ou senador pela coalizão. "Neste caso estamos fora. Assim não dá", afirmou o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente do PDT no Estado de São Paulo.

 

O PSB, aliás, não participou do encontro e, de acordo com o presidente estadual da legenda em São Paulo, deputado Márcio França, a sigla ficará fora da aliança em torno da candidatura de Mercadante. Sem Ciro na corrida estadual e se não houver um acordo para que o PSB volte à aliança de oposição, o candidato do partido em São Paulo deverá ser Skaf.

 

O presidente estadual do PT, Edinho Silva, tentou minimizar o veto a Skaf. "É uma posição do PDT, mas eu reafirmo que o PSB é um partido fundamental para nós em São Paulo; combinamos que não iremos sofrer por antecipação e que iremos nos reunir para discutir qualquer tensão no campo partidário", afirmou Edinho. Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa de Skaf informou respeitar a opinião de Paulinho, mas ressaltou que ela não representa a do PDT como um todo.

 

No almoço de cerca de duas horas e meia, Mercadante ressaltou às lideranças presentes os investimentos feitos pelo governo federal em São Paulo durante a gestão Lula. O senador salientou a importância de se construir um palanque forte no Estado que dê sustentação à campanha de Dilma no maior colégio eleitoral do País. "Ele se mostrou bastante animado em entrar na disputa eleitoral, mesmo após cirurgia", comentou Paulinho, referindo-se à operação a que o senador foi submetido no dia 4 de março para tratamento de uma hiperplasia prostática benigna.

 

Antes de marcar uma data para ratificar o nome de Mercadante, o PT terá ainda de convencer o também senador Eduardo Suplicy (PT-SP) a desistir de sua pré-candidatura ao governo paulista, já registrada no partido. Para isso, a Executiva do partido em São Paulo prevê uma reunião com o senador na próxima segunda-feira. Além dos partidos já definidos, a coalizão negocia ainda a entrada de outros cinco partidos: PTdoB, PRP, PTC, PSL e PTN, com os quais já foram feitas reuniões.

 

Desastre

 

O lançamento do nome de Mercadante à sucessão ao Palácio dos Bandeirantes se tornou consenso entre os partidos de oposição a Serra após publicação de entrevista em que Ciro chamou de "desastre" o PT no Estado. A declaração deflagrou um movimento interno na sigla para acelerar o lançamento do senador e contribuiu para o isolamento do PSB. Desde o início de março, Mercadante tem cuidado pessoalmente da costura de apoios à sua candidatura.

 

Na semana passada, encontrou-se com a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT), com o deputado Celso Russomanno (PP) e com Paulinho. Nesta semana, Mercadante deve se reunir com lideranças nacionais do PT para acertar os detalhes sobre o lançamento oficial de sua candidatura.

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