Coalizão deixa PT cauteloso sobre a presidência da Câmara

O presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, negou hoje que o partido já tenha definido um candidato próprio para disputar a presidência da Câmara dos Deputados em 2007. Segundo Garcia, o assunto sequer foi discutido na reunião do Diretório Nacional do PT, realizada neste final de semana em São Paulo.Ele ponderou, no entanto, que o partido tem nomes de "alta qualidade" para ocupar a presidência da Câmara e que, por esse motivo, teria condições de reivindicar a cadeira. "Essa é uma decisão que o PT vai tomar consultando os outros partidos que integram a base de sustentação do governo. Esse é um problema que tem que ser resolvido no marco de uma política de coalizão", disse.Garcia admitiu que a bancada do PT na Câmara dos Deputados manifestou intenção em ter um candidato, o que, em sua avaliação, é uma "disposição legítima", mas que precisa ser consultada junto às outras forças aliadas. "A bancada não tomou nenhuma decisão. Ela só poderia tomar uma decisão dessa natureza se tivesse efetivamente todos os votos", disse.O deputado Gilmar Tato (PT-SP), que defende a definição de um nome petista para a presidência da Câmara, admitiu que o tema está sendo discutido com cautela dentro do partido. "Há um respeito muito grande, principalmente ao PSB e ao PCdoB, que são partidos aliados historicamente conosco. São partidos que nós queremos ter uma relação privilegiada no campo da coalizão de governo", disse.A presidência da Câmara poderia ter o sentido de uma compensação aos petistas para a perda de espaços no governo, em função da presença do PSDB na coalizão, mas Garcia disse que não houve reclamação dos petistas sobre a situação do partido no novo desenho político. Ele ressaltou que a coalizão, dará uma estabilidade programática e governamental fundamentais para o segundo mandato do presidente Lula.Congresso do partido é antecipadoGarcia também comentou a decisão do Diretório Nacional de antecipar para os dias 6, 7 e 8 de julho de 2007 a realização do 3.o Congresso Nacional do partido, prevista para o final do ano.Com a medida, criou-se a expectativa de que houvesse uma nova mudança na direção do partido com a escolha indireta de um presidente que comandaria a legenda até que uma nova eleição direta fosse realizada. Além disso, existe a possibilidade de o mandato de presidente do partido ser reduzido de três para dois anos durante a realização do 3. Congresso. "Eu acho que um mandato de três anos é melhor, mas, nas circunstâncias atuais, o congresso pode reduzir esse período, pois tem autonomia para fazê-lo", disse Garcia.O deputado Gilmar Tato defendeu uma nova formatação política para o PT, em função das crises que atingiram o partido ao longo do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Há um desmonte e uma falência do campo majoritário que conduziu o partido nesses últimos anos. Tem que haver uma nova formatação e deslocamento de blocos e acho que a eleição permite esse tipo de movimento", disse o deputado.No sábado, o presidente Lula disse que o PT precisa voltar a ser um exemplo de ética na política e corrigir seus erros. Na avaliação do senador Eduardo Suplicy, a declaração foi "um puxão de orelha saudável" dado no partido e que esse é o desejo de todos os petistas.

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