André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Coaf vê R$ 52 bi suspeitos na Lava Jato

À CPI da Petrobrás, presidente do órgão que investiga movimentações atípicas afirma que produziu 267 relatórios para a força-tarefa

DAIENE CARDOSO, O Estado de S. Paulo

07 de julho de 2015 | 17h06

Atualizado às 22h54

Brasília - O presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antonio Gustavo Rodrigues, disse nesta terça-feira, 7, em depoimento à CPI da Petrobrás, que o órgão já investigou para as autoridades da Operação Lava Jato movimentações atípicas que atingem R$ 51,9 bilhões.

De acordo com Rodrigues, o órgão do Ministério da Fazenda que tem como competência examinar e identificar ocorrências de atividades ilícitas produziu um total de 267 relatórios para os investigadores da Lava Jato. O levantamento abrangeu 8.918 comunicações de movimentações financeiras de 27.579 pessoas física e jurídica. Rodrigues foi ouvido ontem na comissão na condição de testemunha.

“A Lava Jato iniciou a partir desses instrumentos”, disse o presidente do Coaf, ressaltando que dos R$ 51,9 bilhões movimentados em operações financeiras atípicas monitorados para a Lava Jato, R$ 1,381 bilhão foi de dinheiro em espécie. 

Rede. Rodrigues afirmou que nesse tipo de investigação é apurada toda a rede que movimentou os recursos, seja dinheiro em espécie ou investimentos. “Tem gente que pode ter entrado de gaiato. A investigação é que vai dizer”, disse o presidente do Coaf em entrevista. 

Durante seu depoimento na CPI, Rodrigues negou que bancos tenham sido coniventes com as operações de lavagem de dinheiro investigadas na Lava Jato e que o sistema funcionou ao identificar irregularidades. O presidente do Coaf não revelou os nomes dos investigados alegando que poderia ficar caracterizado quebra de sigilo. 

Aos parlamentares, ele sugeriu que, se a CPI quiser ter acesso aos relatórios, terá que solicitar a quebra de sigilo por nome, já que cada relatório pode ter centenas de nomes. Um dos alvos da investigação, admitiu Rodrigues, foi o doleiro Alberto Youssef, que já havia sido monitorado em outros processos. “Youssef já era famoso, já tinha sido investigado, fez delação no passado, mas ele continuou operando”, destacou.

O presidente do Coaf disse que a maioria das movimentações suspeitas acaba se confirmando como crime. 

Acareações. O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, concedeu ontem liminar para dispensar o ex-gerente de Serviços da Petrobrás Pedro Barusco de participar de acareações na CPI. Ele havia sido convocado para participar de sessões nos dias 8 e 9, respectivamente, com o ex-diretor da estatal Renato Duque e com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari.

Na prática, portanto, as sessões de acareação nas quais era esperada a presença de Barusco ficam inviabilizadas. 

A defesa do ex-gerente de Serviços da Petrobrás alegou ao Supremo que ele possui câncer ósseo e tem dificuldades de locomoção e permanência na sessão da comissão parlamentar.

Ao analisar o pedido, Celso de Mello observou que Barusco é acometido por doença grave e a solicitação tem suporte em “razões de caráter humanitário”. 

O ministro levou em conta também informação prestada pela defesa de Vaccari de que ele permaneceria em silêncio na sessão da CPI e, portanto, a acareação não se realizaria na prática, ainda que os dois estivessem presentes. / COLABOROU BEATRIZ BULLA


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