Dida Sampaio/ ESTADÃO
Dida Sampaio/ ESTADÃO

Coaf foi protagonista no mensalão e Lava Jato

Órgão tem como missão produzir inteligência financeira e conter a lavagem de dinheiro, a ocultação de patrimônio e o financiamento de atividades criminosas ou terroristas

Fabião Serapião e Julia Affonso, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2018 | 03h00

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) teve participação em investigações como a do mensalão e a da Lava Jato. Os Relatórios de Inteligência Financeira (RIF), elaborados pelo órgão, apontaram “transações suspeitas” que resultaram, por exemplo, na única delação do mensalão – a do corretor Lúcio Funaro –, ou que sustentaram operações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (condenado e preso na Lava Jato), ex-ministros como Antonio Palocci e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB), entre outros. 

O Coaf tem como missão produzir inteligência financeira e conter a lavagem de dinheiro, a ocultação de patrimônio e o financiamento de atividades criminosas ou terroristas. A missão de “seguir o dinheiro” torna o órgão estratégico para as pretensões do futuro ministro da Justiça e da Segurança Nacional, Sérgio Moro, que no novo governo passará a deter o controle do órgão.

 

Onyx

Na sexta-feira passada, irritado com os questionamentos de jornalistas sobre suspeitas envolvendo o ex-motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, colocou em dúvida a eficiência do Coaf. “A pergunta é: onde é que estava o Coaf no Mensalão? Onde estava o Coaf no Petrolão? Esse é o ponto.”

Foi o Coaf que abasteceu os investigadores que conduziram a investigação sobre o mensalão. Um relatório produzido pelos técnicos do órgão mapearam todas as transações suspeitas do corretor Lúcio Bolonha Funaro, que acabou assinando seu primeiro acordo de colaboração premiada com as autoridades – o segundo foi assinado anos depois, já na Lava Jato.

O Coaf participou também das investigações paralelas da CPMI dos Correios, da qual o próprio Onyx foi sub-relator de Normas de Combate à Corrupção. A Comissão Parlamentar foi instaurada em junho de 2005 e analisou “um vasto conjunto de dados, documentos, depoimentos”.

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