CNPq quer reduzir duração de mestrados

Dez programas de pós-graduação no Brasil estão iniciando um projeto-piloto para tentar diminuir o tempo de duração do mestrado, passando de dois anos para apenas um. A redução faz parte da "Pós-Graduação Integrada", uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para apressar a chegada do aluno ao doutorado.Para começar, a agência de incentivo à pesquisa limitou em 30% o número de alunos de cada curso com permissão para fazer o "mestrado rápido". Os escolhidos serão estudantes com bom desempenho e que têm intenção de ingressar no doutorado. O CNPq também só oferece a opção para os programas de pós-graduação que têm, no mínimo, nota 6 da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o órgão responsável pelas avaliações dos cursos de mestrado e doutorado, e que também oferece bolsas.A decisão final de acelerar ou não os cursos é das universidades, mas as agências financiadoras têm grande influência, porque a grande maioria dos alunos recebe bolsas com prazos definidos (máximo de 24 meses para o mestrado e 48 meses para o doutorado).Foi com base nessa influência que, no ano passado, o CNPq começou a estudar formas de incentivar as universidades a reduzir o tempo do mestrado. Para isso, ele promete oferecer um número extra de bolsas de iniciação científica para os programas de pós-graduação que tiverem interesse em aderir ao projeto-piloto. O aluno também recebe estímulo a fazer parte dos 30%. Além de acelerar o curso, ele terá direito a um fundo de reserva de 15% do valor de sua bolsa, para ser sacado como auxílio à pesquisa que realizar no doutorado."A princípio, nosso projeto será direcionado para os cursos em que o mestrado não faz mais sentido sem o doutorado, como a área de física, por exemplo", explica Celso Melo, diretor do CNPq e um dos autores do projeto. E acrescenta: "Mas, com o tempo e se a experiência der certo, queremos reduzir as restrições e ampliar o plano para os cursos e alunos com notas menores".A Capes tem um projeto semelhante ao do CNPq. A agência tem apoiado cursos de mestrado mais curtos para docentes.Segundo Luiz Loureiro, diretor de Programas, a Capes tem preferido estimular a redução do tempo em programas direcionados para professores que têm o aval da universidade. "É uma forma de acelerar os cursos sem correr riscos, porque já sabemos quem estamos escolhendo", explica. Loureiro afirma que a Capes também gostaria de estimular ainda mais a aceleração do mestrado mas "existem barreiras". "É um nó cultural. Mesmo com estímulo, as universidades reagem e resistem à diminuição da duração do curso. Além disso, em alguns casos, o mestrado tem servido para cobrir deficiências da graduação".Glaci Zancan, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e professora de bioquímica da Universidade Federal do Paraná, diz que a UFPR já promove aceleração dos cursos há alguns anos. Segundo ela, em alguns casos, o aluno chega a "pular" o mestrado e vai direto para o doutorado.Glaci diz que nunca houve ligação direta entre o mestrado e o doutorado. "A legislação que criou a pós, nos anos 60, permite flexibilidade de tempo. E o mestrado nunca foi pré-requisito para o doutorado. São, aliás, conceitos teóricos bem diferentes", afirma. A única ressalva que faz é a de que as universidades mantenham sistemas criteriosos de avaliação dos alunos.

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